Editorial

As vítimas do IVVH - Editorial

Por Redação |
| Tempo de leitura: 3 min

A reportagem da Folha da Região acompanhou, na tarde de ontem (4), a reunião dos trabalhadores da empresa IVVH (Instituto de Valorização a Vida Humana), responsável pelo gerenciamento dos serviços da Secretaria de Assistência Social de Araçatuba, com o sindicato com a categoria. Elas são as grandes vítimas diretas do processo de possível fraude que está sendo investigado pela PF (Polícia Federal) no âmbito da Operação #TudoNosso.

A equipe do jornal ouviu, e retrata na edição de hoje, o drama de homens e mulheres que dependem do emprego para sustentar suas famílias, realizar seus sonhos.

A polícia está fazendo muito bem o seu papel de investigar e o jornal, como defensor de uma sociedade mais justa, apoia os trabalhos por ora realizados. E até por isso propõe, aos leitores e às autoridades de nossa cidade, uma reflexão sobre o resultado de seus atos.

Não cabe aqui fazer um julgamento precipitado sobre os contratos ainda em análise pelas autoridades competentes. Mas sim, chamar a sociedade a pensar sobre o quanto os mais fracos pagam pelos mandos e desmandos de quem acredita ainda que o Brasil é o país da Lei de Gerson, onde todo mundo quer levar alguma vantagem.

Sempre reinou a ideia de que o Brasil era o paraíso da impunidade, onde qualquer pessoa ou empresa deveria buscar vantagens de forma indiscriminada, sem se importar com questões éticas ou morais. Uma história que começou a mudar com o fortalecimento das instituições democráticas e ampliação da força de atuação do Ministério Público e da Polícia Federal.

Desde a primeira fase da Operação Lava Jato, em 17 de março de 2014, muita coisa tem sido passada a limpo. Políticos e empresários começaram a ser encarcerados como sempre foram apenas os marginais de casta baixa. E felizmente, não parou por aí. São tantas as operações policiais que aconteceram desde então, que ninguém é capaz de citar de cabeça seus nomes e seus presos.

E mesmo assim, ainda há cidadãos inescrupulosos que continuam cometendo irregularidades e crimes sem olhar quem será o mais afetado: que invariavelmente é o mais pobre, o trabalhador, a dona de casa, os estudantes. Todos aqueles sem nome e sobrenome que precisam sobreviver em um Brasil injusto na divisão de riquezas e acesso aos serviços básicos.

Os trabalhadores do IVVH, ontem, traziam nos olhos o medo de perderem o emprego. Alguns até aceitavam continuar trabalhando mesmo sem ter garantia de receber seus salários. Era como se tivessem que optar entre o inferno menos quente.

Os investigados na #TudoNosso deveriam ser levados para olhar o rosto destes cidadãos que não têm culpa se houve ou não negociatas dos contratos. Precisam ver o desespero daqueles que estão com o supermercado e o aluguel em risco por causa de negociações postas sob suspeitas.

Caberá às autoridades policiais dizerem se houve crime na questão do IVVH. Mas, espera-se que as autoridades não deixem estes trabalhadores, que nada têm a ver ‘os rolos do povo lá de cima’, pagarem a conta sozinhos.

O Brasil, para o bem de todos, tem sido cada vez menos um país do jeitinho. E será bem-vinda a hora em que os mais pobres deixarão de pagar pelos desmandos de quem tem acesso ao poder.

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