Editorial

O rigor da lei - Editorial

Por Redação |
| Tempo de leitura: 3 min

O acidente ocorrido na noite de terça (27), em Birigui, quando um caminhão boiadeiro bateu em uma moto, causando a morte da motociclista, chama a uma reflexão mais ampla e profunda sobre o trânsito. Não dizendo que este seja o caso do ocorrido, mas o que mais se observa em meio ao caos diário que se tornam as ruas, especialmente em horário de pico, são motociclistas desobedecendo todas as leis de trânsito de uma só vez.

Ao verificar que há fila de carros aguardando, por exemplo, eles costuram por entre esses veículos, avançam o “pare”, quando param, o fazem em cima da faixa de pedestres, entram na frente dos carros, dentre outras atrocidades que só podiam culminar em acidentes, graves. São inúmeros que acontecem no dia a dia, tanto que nem mais motivo de aglomeração de pessoas o são. De quem é a culpa? De quem desobedece as leis, com certeza.

Motociclistas pilotam suas motocicletas como se ciclistas fossem. Esquecem-se de que existem regras e contribuem para tornar o trânsito, cada vez mais, hostil. Arriscam-se em meio aos carros, buzinando para “avisar” que estão passando por entre as faixas de rolamento, no meio de todos os veículos que aguardam, pacientemente, em fila, que o trânsito flua. Embora o número de acidentes esteja diminuindo, ao menos em Araçatuba, cidade que já beira os 200 mil habitantes, fora a população flutuante que vem em busca de lazer, saúde, alimentação, estudos, fato é que, enquanto não houver consciência, especialmente daquelas partes consideradas mais vulneráveis no trânsito (pedestres, ciclistas e motociclistas), violência continuará fazendo parte do dia a dia das cidades.

Por um trânsito mais humano, é necessário que se tenha humanos no trânsito. É preciso, acima de tudo, educação e respeito e não adianta pressa, pois o trânsito é imprevisível e a pressa só tira o foco do que é o mais importante: as leis. Araçatuba, embora tenha alguns gargalos, é uma cidade com pouco trânsito, o qual só se verifica em horários muitos específicos, em pontos onde a fluidez é mais lenta devido à conversão de motoristas em todos os sentidos, como as rotatórias da Pompeu com as avenidas Baguaçu, Brasília e Saudades. Pontos onde é preciso paciência para transitar em horários de pico, mas que são, durante todo o dia, tranquilos, assim como o trânsito em geral.

Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Araçatuba possui, no total, 171.468 veículos, segundo a última contagem do ano de 2018. Desses, 44.740 são motocicletas e 14.249 são motonetas. São quase 60 mil, somando-se as duas categorias, o que dá praticamente um terço da frota composto por esse tipo de veículo. Numa cidade que possui população estimada para esse ano de 2019 de 197.016 habitantes, a proporção é de 1,14 habitante por veículo enquanto a média do Brasil é de 2,08. Em uma cidade onde o trânsito tem seus gargalos, um veículo por habitante é algo desproporcional.

Entretanto, o que se observa é que o transporte público deficitário contribui para que o número de veículos seja maior, já que não há muitas opções de locomoção para aqueles que precisam se deslocar de um ponto a outro. Assim como a prefeitura tem que dar sua contribuição, mantendo a malha viária condições mínimas de trafegabilidade, é preciso que os motoristas entendam que existem limites, leis, sinalização e que estes existem para preservar a vida, portanto devem ser respeitados.

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