Às vésperas de uma grave crise econômica, ao menos, muitos são os sinais que indicam a falência do Estado brasileiro, conversas de bastidores dão conta de que pode estar havendo movimentação na Câmara de Vereadores de Araçatuba para conceder aumento de proventos aos edis. Cômico, não fosse uma tragédia anunciada. A intenção é praticamente dobrar os recebíveis pela função de vereadores que exercem os eleitos pelo povo.
Antes que pensem em concretizar tal façanha, é bom que saibam que a população é contra qualquer tipo de aumento, seja do número de vereadores, seja de salário. E o anseio popular ainda clama pela redução no número de assessores que cada um dos digníssimos edis usa como moeda de troca ou, como corre a boca miúda, para fazer “caixinha”, já que tem assessor ganhando até três vezes mais do que os próprios vereadores.
Será que, em algum lugar do mundo, passa pela cabeça de quem possa estar tentando propor tal absurdo que, aumentar o próprio salário em uma época de graves indícios de crise, aumento do desemprego, redução de salários na iniciativa privada e falência do próprio Estado seja aceitável?
É preciso que os políticos entendam, de uma vez por todas, que o povo não quer aumento de salários. O povo quer retorno do seu dinheiro investido num Estado que não consegue fazer nada direito. Que tem obrigações, mas, devido aos grandes desvios, não consegue cumpri-las, obrigando aos cidadãos que tenham dois, três “empregos”, para ajudar no sustento da casa, enquanto os políticos, por meio de suas manobras e seus “toma lá, dá cá” surrupiam o dinheiro do contribuinte. É inadmissível, em tempos de falência múltipla de órgãos, que a digníssima câmara avente tal proposta, se é que isso pode levar esse nome.
O povo quer se ver menos achincalhado pelo governo que só toma. O presidente já anuncia o início do caos ao dizer que não há dinheiro para o soldo dos soldados do Exército, por exemplo. A um país à beira do abismo, à César o que é de César. Não adianta o Estado esmagar o povo com mais impostos e taxas enquanto este amarga a carteira vazia, as despensas às moscas e a inadimplência, ainda que pequena, crescente. Se os brasileiros não conseguem pagar R$ 1 mil para retirar seus nomes dos serviços de proteção ao crédito, o que faz os políticos pensarem que ficará feliz e quieto, aceitando impassível, que o dinheiro dos impostos seja gasto com salários de vereadores.
Enquanto os nobres edis vislumbram encher suas carteiras, o povo padece. Falta educação, falta infraestrutura, a saúde esperneia com longas e demoradas filas para uma simples consulta, os professores amargam péssimos salários e, com isso, desestimulados pela política do “passa todo mundo de ano”, perderam as forças para lutar e ensinar, ajudando a formar cidadãos mais críticos e preparados. Aliás, talvez este seja o cerne da questão. Um país que não valoriza educação, não valoriza as futuras gerações e tem a intenção de continuar formando uma grande massa manipulável que, em pouco tempo, estará trabalhando (se as políticas públicas não destruírem a iniciativa privada) para pagar, calada, os salários aumentados pelos “donos do país”. Esse é o Brasil que está se consolidando. Enquanto se espalham fake news sobre a Amazônia, os focos de incêndio principais não são combatidos.
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