Para quem vem acompanhando o desenrolar dos fatos da operação #TudoNosso, deflagrada na última terça (13), em Araçatuba, as expectativas são grandes. Enormes, pode-se dizer, devido ao fato de muitos nomes da administração municipal de Araçatuba estarem envolvidos.
Foram aventados os envolvimentos de secretária, cargos em confiança e, até mesmo, funcionários que teriam a função de fiscalizar os processos licitatórios e não o fizeram, segundo os autos do inquérito narram. Não o fizeram pois, ainda segundo documentos divulgados pela PF (Polícia Federal), fariam parte de uma grupo organizado com o intuito de fraudar licitações e inserir entre estes contratos empresas laranjas que superfaturavam os valores e devolviam parte do recebido aos que participavam do esquema.
Foram dois anos de investigações pela Polícia Federal antes de deflagrar a operação e apreender documentos, decretar prisões temporárias (algumas já convertidas em preventivas) e formalizar as suspeitas que pairavam no ar, já que no inquérito há, inclusive, escutas telefônicas legalmente autorizadas e que trazem à tona o envolvimento de outras pessoas.
Conforme noticiado pela Folha da Região em sua edição de ontem, o prefeito Dilador Borges (PSDB), embora citado no inquérito como membro de um dos três núcleos investigados pela PF, segundo decisão do TRT3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região), não está sendo investigado, pois, até o momento, não existem provas contundentes de que ele estaria envolvido. Já a vice Edna Flor (Cidadania), que também teve seu nome envolvido, segundo a própria defesa, teria situação pouco mais complicada, pois ela teria se envolvido mais com José Avelino Pereira, o Chinelo (PSB), especialmente durante a campanha. Chinelo, segundo a PF, seria o mentor de todo o esquema que acontecia na prefeitura de Araçatuba.
Embora as peças do quebra-cabeças possam estar começando a se encaixar, ainda deve passar muita água embaixo da ponte. Na sexta, 13, segundo a defesa, a ex-diretora de departamento da secretaria Municipal de Assistência Social, Silvia Aparecida Teixeira, que estava entre os presos com prisão temporária decretada, disse à Folha da Região que acreditava que até ontem, 14, ela estaria em liberdade juntamente com outros presos da operação que não teriam suas prisões convertidas em preventiva. Entretanto, na manhã de ontem mesmo, foi divulgado que Sílvia permaneceria privada de sua liberdade, tendo sua prisão convertida em preventiva, juntamente com Chinelo, seu filho Igor Tiago Pereira, José Cláudio Pereira (Zé Pera) e o presidente do Conselho Municipal de Saúde, Thiago Henrique Braz Mendes. Eles poderão ficar presos por prazo indeterminado, até que as investigações seja concluídas evitando, assim, que possam interferir nesta etapa.
Quanto ao prefeito, ainda que, neste momento, em decisão proferida em junho por desembargador do TRT3 , ele não esteja sendo investigado, não há fatos que afirmem ou neguem o envolvimento do alcaide. O que acontece é que, neste momento, as investigações seguem contra os outros acusados, que não dispõem de foro privilegiado, e têm na Justiça Federal de Araçatuba o foro para seus atos.
Que fique claro, os fatos devem e serão investigados e, caso haja novos indícios de envolvimento daqueles já citados no inquérito ou de novas pessoas, as devidas instâncias serão acionadas. Por enquanto, fica a lição para corruptos e corruptores de que, um dia, a casa cai. Para o povo, fica a certeza de que é preciso repensar suas preferências políticas e modo de votar.
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