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Imprensa Livre - Editorial

Por Redação |
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Na última quarta (14), o Senado prestou homenagens aos 40 anos da ANJ (Associação Nacional de Jornais), entidade que congrega 90% das mídias impressas e online do Brasil, inclusive esta Folha. Na contra-mão dos ataques que a mídia vem sofrendo, a homenagem trouxe à tona assuntos que deveriam ser discutidos diariamente tanto pela mídia, quanto pela sociedade e, mais ainda, pelos governantes e membros dos três poderes.

Dentre os destaques durante as falas daqueles que participaram da solenidade, pontos como fake news e liberdade de imprensa foram dominantes. Temas corriqueiramente discutidos, em especial neste espaço, pela Folha da Região que, assim como a grande mídia, sofre ataques e é acusada, mas é a única mídia impressa da cidade a tratar de todos os assuntos com liberdade, ainda que sob ameaças veladas ou explícitas.

A liberdade de imprensa é um dos mais importantes, se não o mais importante, pilar da democracia. Quando tentam calar a mídia, seja oferecendo vantagens indevidas, seja por meio de contratos de publicação de atos oficiais ou, ainda, sob ameaças de processos, quem perde é o povo. Ao contrário do que muitos pensam, há sim, em todas as esferas, empresas que se afiliam a determinados grupos em busca de sobrevivência, e isso pode ser, muito claramente, vislumbrado nestas bandas. Quem tem o “rabo preso”, ataca apenas um lado ou se omite. Pagamentos que beiram à propina tornam os bastidores do jornalismo sujos, tão sujos quanto a política brasileira. Pois, do mesmo modo que o político aceita propina para favorecer este ou aquele, há jornalistas que aceitam “chequinhos” para fazer vista grossa ou para atacar quem quer que vá contra a ideologia do seu “patrão”.

Durante a homenagem para a ANJ, o presidente da entidade, o jornalista Marcelo Rech, faz uma colocação que merece reflexões. “Para romper o círculo vicioso da desinformação e das bolhas de intolerância, a saída mais efetiva e democrática é o reconhecimento da comunicação profissional – e não o contrário, como pretendem governantes autocráticos mundo afora em cercos à imprensa que de forma alguma se confundem com a saudável e necessária crítica do trabalho jornalístico”, diz Rech.

Quando se refere à comunicação profissional, o jornalista fala em empresas que têm responsabilidade no desempenho da função, fato que está se tornando cada vez mais raro ante ao sem número de “mídias extraoficiais” que surge diariamente e que dá margem à propagação de fake news que prejudicam a todos. É devido as fake news que, por exemplo, o sarampo volta a aparecer no mundo, e no Brasil, já que estas pregam que vacinar é prejudicial e os internautas não se dignam a checar as fontes, mas se contentam em acreditar e espalhar. Junto a isto, tem-se as bolhas de intolerância daqueles que, diuturnamente, atacam a imprensa, difamando e caluniando profissionais e empresários, sempre querendo algo em troca. O trabalho sujo é feito, inclusive, por outros jornalistas.

Jornalismo, assim como outras profissões, não é ciência exata e, a não ser que se esteja escrevendo um artigo de opinião, como os veiculados diariamente por esta Folha aqui mesmo, nesta página A2, as matérias devem ser isentas de achismos ou crenças. Matérias trazem fatos. Fatos e atos têm consequências. O jornalismo, ao contrário das opiniões que ‘pulalam’ nas redes, oferece informação e opinião certificadas, exercidas com responsabilidade, inclusive civil e criminal e é esta a esteira para que se exerça a democracia em sua forma plena.

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