Quem se acha no direito de perdoar o outro, se acha maior. É com essa reflexão que começamos o artigo de hoje. Mas o que é o perdão? A ação de perdoar livra alguém de uma obrigação ou dever e está presente no dia a dia de todos, em diversas situações. Desde quando se reza um “Pai Nosso” até quando se perdoa as dívidas de alguém.
Para Bert Hellinger não se deve pedir perdão. O ser humano não tem o direito de perdoar. Perdoar é um ato divino. O simples fato de pedir perdão para alguém, empurra para o outro a culpa de alguém. Perdoar também é, inconscientemente, acreditar que se está certo ao passo em que o próximo, aquele que pede o perdão, está errado. Isso causa um desnível que impede relações de igualdade. Nenhum ser humano é melhor ou está acima de outro.
Ao pedir perdão tem-se no inconsciente a sensação de que esse ato “abranda” a dor causada ao próximo. Transfere-se a responsabilidade para aquele ao qual se pede o perdão. Assim, caberá ao “magoado” a decisão de perdoar ou não, o que deixa de consciência livre o agressor. Imputa-se a culpa a quem já, ofendido, ainda poderá carregar o fardo de “não ter olhado com amor suficiente para aquele pedido de perdão”.
Não existe certo ou errado, tudo é aprendizado e experiência para o equilíbrio dos sistemas familiares. Tudo traz, em algum momento, mensagens subliminares para mostrar algo que deve ser visto, ajudando a desfazer nós. Invés de pedir perdão, é importante entender que “sente muito” pelo que fez, aceitando a situação ocorrida. Sentir muito é como preservar a dignidade, facilitando o acesso do outro. “Você se coloca de frente para o outro”, diz Hellinger. Não um nível acima.
Aceitação pode ser a chave para a evolução. Quem não se aceita, não aceita as situações da vida, não aceita e acolhe o que precisa para sua evolução, caminha sem sair do lugar. É o caso daqueles que se encontram em círculos viciosos, buscando novos rumos quando permanecem tendo sempre as mesmas atitudes. Aceitar tudo como foi, porque tudo sempre é o que tem que ser, é fator primordial para que a ordem se estabeleça.
A.S. Vasconcelos é consultor de carreira
Fale com o Folha da Região!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.