O ano era 1972. O ator principal: Charlton Heston. O filme: “No mundo de 2020”. Enredo: drama policial futurista, onde os alimentos, tipo biscoitos, são fabricados por uma megaempresa. Fita que, há 45 anos, impactava, no mofo do cinema: de onde vem a comida? O final é surpreendente.
Hoje, são 6 megaempresas que controlam a produção mundial de alimentos com suas sementes geneticamente modificadas e seus fertilizantes e pesticidas químicos jogados nas plantações, trazendo uma gama de doenças principalmente em agricultores.
No Brasil, mais de 110 mil pessoas já foram afetadas por alimentos contaminados. Neste ano, 401 lavradores gaúchos se intoxicaram seriamente com agrotóxicos. Mais de 14 mil escolares de zonas rurais foram gravemente atingidos pela pulverização aérea.
Não é um biscoito igual ao do filme. Mas já tem gente comendo carnes celulares de frango. Ou seja, retira-se a célula da ave, coloca-se num reator químico que vira carne.
A onda dos produtos orgânicos entra como resposta a isso tudo. Antenado, o Siran vem capacitando junto com o Senar, lavradores da Agricultura Familiar, na produção de legumes e hortaliças. E em março, esteve aqui a Agrônoma Fátima Aboucauch, do Ministério da Agricultura, dando orientações para implantar um Programa de Certificação Orgânica.
Maior dificuldade está na mudança da forma de trabalhar, mesmo com os relatos de todos agricultores, que estão com sequelas irreparáveis na saúde por causa da aplicação de pesticidas. A própria Dra. Fátima confidenciou que adquiriu artrite, só de andar por entre as plantações. Ela traz agora a referência positiva de Mogi das Cruzes: com manejo correto, não precisa aplicar nenhum produto químico. Inclusive para grandes plantações. Para isso, resta a capacitação oferecida gratuitamente.
No Programa da Merenda escolar, existe lei que obriga à compra de no mínimo 30% da produção de orgânicos, pagando 30% a mais do preço. Mas não emplacou ainda. Bom seria que a única semelhança fosse só o título do filme. Como seria um filme: “No ano de 2065”?
Francisco Moreno é voluntário em meio ambiente
Fale com o Folha da Região!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.