Artigo

Senzala

Por Redação |
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Antes de os medíocres pensadores, que se auto intitularam defensores das minorias, imporem à sociedade a idiotice chamada “Politicamente Correto”, podia-se fazer certos comentários: A Princesa Isabel assinou a Lei Áurea com um lápis, pois tem-se a impressão que foi apagada.

É costume dizer que a Casa Grande não utilizava no seu cardápio algumas partes do porco. Rabo, orelha, pernas e outras partes eram jogadas fora. Na senzala, os escravos recebiam para o seu cardápio pernas, orelhas, rabos, etc.

Só não era com feijão preto, mas na França já existia um prato de feijão com diversos tipos de carne. Entretanto, os críticos da Senzala dizem que das migalhas que caíam da mesa do Senhor, criou-se o mais famoso prato da culinária de nosso país: a Feijoada.

As décadas foram passando e de certa forma a escravidão tomou outras formas. Os ingredientes também. Algumas orelhas chama-se ticket alimentação. Rabos chamam-se cestas básicas. Na feijoada de nossos tempos, temos outros ingredientes: décimo terceiro salário, abono do PIS e outros encargos que encarecem o custo Brasil.

Depois de tanto tempo daquele maio, será que a escravidão acabou? Talvez não seja a mesma. Talvez a pele não seja a mesma. Talvez a condição social não seja a mesma. Hoje o Feitor é outro. Não tem chicote. Tem uma pena que controla a produção. O Senhor da Casa Grande não planta café. Produz bens de consumo.

Antes, somente os escravos do café. Hoje, os escravos do sapato, dos móveis, da metalurgia, do serviço público. Antes era o Senhor de Engenho. Hoje é o Senhor da Produção, que também não deixa de ser um escravo. Escravo dos impostos e dos custos sociais.

O maior dos escravos é o escravo da ignorância. Falta de conhecimento e informação está a levar pessoas à escravidão absoluta. Não é uma escravidão de senzala. É a escravidão do poder econômico sobre o poder do trabalho, sobre o livre arbítrio do voto, vendendo ilusão, convencendo o escravo, que um dia ele terá uma Casa Grande.

A proposta de reforma que o Governo propõe é como a abolição. Não muda nada.


Benute Santos é economiário

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