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A educação no olho do furacão

Por Redação |
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Há um ditado popular bem antigo que cabe bem à educação no Brasil na atualidade: “falem bem ou falem mal, mas falem de mim”. O tema, de repente, saiu dos muros das escolas e dos gabinetes governamentais e ganhou as ruas, literalmente. Pudemos acompanhar, na semana passada, milhões de pessoas mobilizadas em mais de 200 cidades brasileiras para protestarem contra cortes no setor.

Independentemente da polêmica sobre a participação de agremiações políticas nestes eventos e da fala do presidente Bolsonaro, que chamou os manifestantes de ‘idiotas úteis’, o fato de a educação ter se tornado alvo de mobilização social é um feito considerável.

Falando bem ou mal, o assunto entrou no radar dos cidadãos, que foram chamados para refletir sobre o sistema de ensino nacional: um fato praticamente inédito na história do nosso país.

Atualmente, cerca de 6% do Produto Interno Bruto (PIB) é destinado para a educação pública no nosso país, porcentagem maior que muitos países ricos. Um exemplo é a Alemanha, onde a taxa é de 4% do PIB, abaixo do Brasil. Mas o PIB da Alemanha é de US$ 3,4 trilhões e o do Brasil, de cerca de US$ 1,7 trilhão. E vale ressaltar ainda que em relação ao número de alunos, a proporção se inverte. São cerca de 6,6 milhões de estudantes no ensino básico alemão e 48 milhões no brasileiro, por exemplo.

Trocando em miúdos, enquanto o governo alemão investe 10,8 mil dólares por aluno em um ano, o Brasil aplica cerca de 3,8 mil dólares a cada um de seus estudantes. A média mundial é de 9,4 mil dólares per capta.

E o baixo investimento se reflete em resultados práticos. De acordo com a mais recente avaliação internacional de desempenho dos estudantes, (PISA), o Brasil ficou na 63ª posição em ciências, na 59ª em leitura e 66ª colocação em matemática, ou seja, ocupa sempre as últimas posições.

A grande mobilização dos últimos dias se deu em torno da discussão de cortes/contingenciamento de verbas para as faculdades, mas fiquei particularmente feliz quando todo o sistema educacional finalmente se tornou uma preocupação geral, rivalizando com assuntos como séries de TV e futebol.

Se o nível de engajamento em torno do tema continuar elevado temos a chance de passar da fase da gritaria para a apresentação de soluções. Falem sempre sobre a educação. A nação agradece.

Bruno Raphael de Souza é empresário

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