Você já se sentiu deprimido, ansioso ou inseguro sobre o que as pessoas (seu amor, seu chefe, seu amigo…) pensam sobre você? Este texto então é para você, como é também para mim. Saiba que não estamos sozinhos. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país com a maior taxa de pessoas com transtornos de ansiedade no mundo e o quinto em casos de depressão. Estima-se que 9,3% dos brasileiros têm algum transtorno de ansiedade e a depressão afeta 5,8% da população.
É leviano tentar explicar aqui o motivo para estarmos assim. Mas, com certeza, alguns deles são a busca pela perfeição nas vidas expostas nas redes sociais, na procura frenética pela excelência profissional e na ânsia de ter coisas para provar a si e para os outros que somos um sucesso (bonitos, sarados, empoderados, etc).
Mas, olhe bem estes alguns motivos citados (releia se necessário) e junte a eles todos os outros que você é capaz de enumerar. Se a gente juntar tudo e for buscar um denominador comum entre eles vamos encontrar uma grande dose de preocupação com a visão que os outros têm da gente e pouca porção de autoconhecimento.
Temos colocado a nossa felicidade real na vida de outras pessoas. Pelo fato das pessoas sempre estarem dando opinião sobre tudo, acabamos desprezando nossos próprios filtros.
Estive refletindo sobre isso ao pensar o capítulo “Sócrates: o grande desconhecido”, trecho do livro “Novas Vitaminas Filosóficas” (Casa da Palavra), do alemão Theo Ross.
Afirma Ross que para Sócrates tanto faz o que as pessoas pensem sobre ele. O filósofo, segundo o autor, perguntou tanto a si mesmo quem ele mesmo era que chegou a um nível de autoconhecimento tão profundo que o levou à serenidade. Sócrates tomou consciência de não se poderia confiar na opinião alheia, pois a multidão em um instante ‘adora’ um, depois outro.
Por isso, a exemplo do filósofo grego, não podemos apoiar nossas opiniões por algo que não é constante. É melhor libertar-se dela e formar pensamentos próprios. E se ainda não souber como seguir adiante, procure ensinamentos confiáveis como minhas experiências.
A vacina para não se apoiar ao que não é confiável é vencer-se por meio do autoconhecimento. Somente quando iniciamos este processo de encontro com nossas essências, nossos verdadeiros valores internos e ter claro o que realmente queremos da vida é que atingiremos a serenidade que nos afastará da ansiedade e depressão.
A psicóloga orientadora profissional Magda Baetta, explica que mesmo que exerçamos papéis diferenciados, em função dos vários contextos em que estamos inseridos, a identidade é uma só. “Os altos e baixos são provocados pela forma como interpretamos a realidade, e essa interpretação desencadeia emoções básicas”, diz ela, que nos convida para o autoconhecimento. De acordo com ela, este é o primeiro passo para aprender a utilizar recursos internos e externos para se reequilibrar, quando necessário.
O que importa, na verdade, é a gente viver de acordo com nosso próprio caminho. Vencer-se é, antes de tudo, saber quem somos para termos equilíbrio necessário para parar de dar ouvido às pessoas que acreditam que palpite é verdade.
Jean Oliveira é jornalista, bacharel em Turismo e funcionário público
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