Há exatos 138 dias o presidente Jair Bolsonaro assumia a Presidência da República do Brasil. Depois de ter surgido como um fenômeno nas redes sociais, o capitão reformado ganhou, rapidamente, o coração e a mente de parcela significativa da população que estava cansada da incompetência e da corrupção na política em geral.
O período lulopetista/Temer havia deixado marcas de profunda decepção e revolta no povo que via cair seu poder de compra. Bolsonaro era a esperança e por isso angariou 57.797.847 votos no segundo turno.
É certo, no entanto, que se esperava um pouco mais desde início de governo. Mas avanços também já foram feitos e isso também não se pode ignorar. Além de ter formato e apresentado uma moderna Reforma da Previdência, seu governo realizou uma série de leilões de infraestrutura. Somente em 12 aeroportos, arrecadou cerca de R4 2,4 bilhões. Também destaco a revisão das leis de posse de armas e reaproximação com parceiros fundamentais no âmbito internacional, como os Estados Unidos e Israel.
Vejo que o grande entrave, até aqui, para que ele possa avançar mais é a mentalidade arcaica que é marca de setores da política nacional. Refletindo sobre isso, me lembrei de uma passagem envolvendo o ex-presidente João Figueiredo.
Em uma entrevista à extinta TV Manchete, em 1985, ao ser perguntado sobre se havia sido um choque para ele sair do quartel para ir ao mundo político, Figueiredo de uma resposta que 34 anos depois reflete o que vivemos: “No quartel só se falava em cumprir dever, em bandeira, defender o Estado, viva a pátria; era o dia inteiro isso. E aqui fora só se via interesse particular. A última coisa que eu ouvia falar era em Brasil. A ponto de eu perguntar uma vez a um determinado político: ‘E o Brasil?’. E ele: ‘Ora, presidente…’”
Creio que este é ainda o maior desafio do novo governo. Reunir condições na relação com os demais poderes e com a sociedade para que a Pátria esteja acima da instância privada. Bolsonaro precisa usar seu cacife político e apoio popular para convocar a sociedade a pensar mais no ‘nós’ e menos no ‘eu’. Política é a arte de inspirar.
Deocleciano Borella Junior é chefe de gabinete da Prefeitura de Araçatuba
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