Em diversas regiões do país, nesse mês de maio, estipulou-se o chamado “Maio Vermelho”, mês escolhido para campanhas de prevenção do câncer bucal. Em outras regiões o mês escolhido é abril. Independente da data, o que importa é esse movimento para a divulgação, conscientização e prevenção dessa enfermidade.
Anualmente são diagnosticados cerca de 300.000 novos casos de câncer bucal no mundo. Destes, cerca de 130.000 evoluirão para morte, o que configura-se em um problema de saúde pública global. O Brasil apresenta uma das mais altas incidências de câncer de boca mundial, com cerca de 15.000 novos casos todo ano, sendo então um dos 10 tipos de câncer mais recorrentes no País.
Os principais fatores de risco para o surgimento do câncer bucal são: tabagismo, consumo excessivo de álcool, excesso de exposição solar sem proteção e contaminação pelo vírus HPV. Esse último fator tem aumentado a incidência desse tipo de câncer na população jovem (entre 30 e 45 anos). Isso porque o HPV (papilomavírus humano), que é transmitido sexualmente, está diretamente ligado ao surgimento de casos de câncer de cabeça e pescoço. Segundo uma pesquisa feita pela USP com 1.475 pacientes, 72% dos casos de câncer de cabeça e pescoço apresentou o vírus HPV do tipo 16. Nas avaliações mais antigas, realizadas entre os anos 1998 e 2003 o índice encontrado foi de 55%, ou seja, um aumento de 17 pontos porcentuais.
É necessário, portanto, estar atendo para cada alteração que possa ocorrer na boca. Manchas roxas, vermelhas ou castanhas, feridas que não cicatrizam em duas semanas, dormência na boca, surgimento de um caroço, dificuldades de engolir são sinais de alerta e devem ser investigados. Procure sempre um cirurgião dentista para avaliação das alterações. Se necessário, ele fará o encaminhamento do paciente para um Estomatologista, que é o especialista em prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças da boca e estruturas anexas.
Prevenção sempre é o melhor caminho.
Ana Laura de Almeida é cirurgiã dentista
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