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Decoro ‘pra lamentar’

Por Redação |
| Tempo de leitura: 3 min

A palavra decoro significa decência, honestidade, dignidade. Ela é bastante usada e conhecida na formação da expressão decoro parlamentar, que é a conduta individual exemplar que se espera ser adotada pelos políticos, representantes eleitos de sua sociedade.

Pelo "andar da carruagem", parece-nos mais indicado alterá-la para o título que usamos. Afinal, o que se vê é exatamente o contrário de decoro, em todas as áreas. É de se lamentar realmente.

Se soubessem nossos políticos e demais envolvidos com a corrupção da máquina governamental, nas manipulações de bastidores, no jogo de interesses – repita-se: em todas as áreas – o buraco que cavam para si mesmos no futuro, para reparações perante a própria consciência, que terão de enfrentar, não se envolveriam em corrupções, em jogos de interesses ou nas manipulações a que se permitem.

Toda lesão que causamos a nós mesmos, ao próximo, mas também à sociedade, teremos que reparar, custe o que custar. A lei de causa e efeito é perfeita. Não é castigo, mas simplesmente consequência, que nos devolve o que oferecemos à vida.

É ilusória a ganância ou a vaidade pelo poder e mesmo pelo status social de projeção. Vantagens, benefícios, momentos de glória e projeção indevidamente utilizados não compensam os danos posteriores que enfrentaremos perante a própria consciência.

É que todos temos o dever da honestidade. A própria palavra dever já é indicativa da responsabilidade que detemos perante a vida. E toda vez que enganamos a consciência para atender aos interesses ou seduções que ferem a justiça ou a dignidade, adentramos no perigoso precipício dos desastres morais que exigirão reparações no futuro.

O dever é obrigação moral perante nós mesmos e os outros. É difícil de ser cumprido porque normalmente é seduzido pela vaidade, pela ganância, pela ingratidão ou pelo poder e manipulações a que nos permitimos. Como é uma questão consciencial, ele não tem aplausos ou reprimendas, permanecendo na intimidade das decisões que conseguimos esconder da visão alheia, mas fica conhecido pela própria consciência. E o futuro, breve ou remoto, nos colocará novamente para o devido enfrentamento.

É, pois, de se lamentar o que se vê, o que se ouve. Nossos políticos, eleitos pelo povo, deveriam honrar o cargo de alta responsabilidade. Os eleitores, por sua vez, igualmente se enquadram na mesma questão quando o voto é movido pelo interesse.

É falta de decoro mesmo. Os interesses da coletividade não podem estar expostos ou sobrepostos pelo interesse individual ou de grupos. Como usar a máquina administrativa de uma instituição, pública ou não, de uma cidade, de um partido, de uma nação, para atender interesses particulares? Isso não é coerente, não combina com a dignidade, com o dever de consciência do papel que assumimos ou representamos.

Abramos os olhos, como políticos ou eleitores. A responsabilidade será sempre nossa daquilo que fizermos com nossos dons, conquistas, recursos, poderes, habilidades, cargos ou influência…

Melhor ouvirmos mais a consciência. Afinal, o desfrute de tais situações é tão efêmero, tão frágil e tão rápido, que não compensa o que enfrentaremos depois, quando burlamos a consciência.

Orson Peter Carrara é escritor espírita. Descreve esta Face Espírita/Ano 11 para publicação na Folha da Região.

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