Entre as décadas de 1980 e 1990 participamos do processo de interiorização da TV Globo no Noroeste Paulista e inauguramos o escritório de Araçatuba como o primeiro produtor de jornalismo televisivo regional, dividindo comando com Luiz Antônio Malavolta.
Fomos nós a fonte regional de informação, ao lado de uma equipe de redação totalmente importada. Brito Júnior, por exemplo, veio da RBS do Rio Grande do Sul. No nosso período, a praça de Araçatuba era recordista de entradas no Jornal Nacional. Fui repórter, produtor e chefe de redação, tendo produzido reportagens especiais e Globo Repórteres com profissionais de grande quilate da imprensa nacional na época e até hoje como Ernesto Paglia, Carlos Nascimento, Leilaine Neubarth, Luiz Carlos Azenha, Luiz Antônio Malavolta. Mas sem dúvida o grande mestre de todos foi Raul Bastos. Foi ele quem comandou a interiorização da Globo.
Ele já havia sido meu chefe no Jornal “O Estado de São Paulo” e seu grupo base incluíram jornalistas contratados pela empresa, como foi o meu caso. O escritório da Globo em Araçatuba foi antecipado no projeto que previa primeiro uma unidade em Fernandópolis. A persistência do ex-prefeito Sidney Cinti também contribuiu, embora editorialmente ele tenha percebido posteriormente que isso não o livrou de matérias críticas de sua administração.
Praticamente todo antigo Hotel Vila Real foi alugado pela emissora para instalação de redação, equipamentos e hospedagem de técnicos, jornalistas, produtores e cinegrafistas. Alguns contratados naquela época permanecem até hoje na organização que pouco tempo depois de instalada deixou de ser do Grupo Roberto Marinho. No começo, para produzir uma reportagem, saíam a campo o motorista, o cinegrafista, o repórter e um assistente técnico. Em alguns casos, o produtor também ia junto. Hoje um sozinho entra ao vivo de qualquer lugar do mundo.
Nossas reportagens eram produzidas em equipamentos que já haviam sido descartados por grandes praças da Globo como Rio de Janeiro e São Paulo. Perdemos muitas matérias por defeitos nas máquinas. Algumas tinham que levar alguns murros para continuarem funcionando.
Antônio José do Carmo é jornalista
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