Artigo

Dor de coluna

Por Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

A Ilíada de Homero, a República de Platão, Ética a Nicômaco de Aristóteles, As confissões de Santo Agostinho, a Suma Teológica de São Tomás de Aquino, o Discurso do Método de Descartes, o Leviatã de Hobbes, o Príncipe de Maquiavel, a Crítica da Razão Pura de Imanuel Kant, a Riqueza das Nações de Adam Smith, Assim falou Zaratustra de Nietzsche, Totem e Tabu de Freud, a Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo de Max Weber, o Suicídio de Durkheim. Essas são todas obras clássicas de homens que muito contribuíram para o progresso humano. No governo, observa-se um esforço pela desqualificação dos cursos de ciências humanas. Distinguir períodos históricos ou reconhecer estilos literários, para alguns, não passa de habilidades inúteis. Para que conhecer Joseph Campbell e o Poder do Mito, Microfísica do Poder de Foucault, a Origem das Espécies de Darwin, Romeu e Julieta ou Hamlet de Shakespeare? A República do WhatsApp ignora a alegoria da caverna. Nem imagina que é tipo a bolha que se cria em suas redes sociais. Escrevo esse texto apenas me lembrando dos livros que li, das provas que fiz, dos trabalhos que apresentei, enquanto cumpria as disciplinas de Filosofia, Sociologia e Antropologia durante minha graduação em Psicologia. Você deve estar se perguntando por qual motivo eu ainda não citei o cramulhão, satanás, o diabo, o sinistro, aquele a quem os destros chamam pai da mentira, Karl Marx. Foi intencional, só queria deixar certas ignorâncias em evidência. O fato é que as humanidades não se restringem à leitura de um único autor. Aos entusiastas da escola sem partido, pergunto: existe disciplina mais antidoutrinante do que um bom curso de filosofia? O investimento em educação no Brasil cai vertiginosamente. O mesmo governo que oferece 40 milhões de motivos para que alguns ilustres sejam favoráveis a certas pautas, retira 30% da verba de universidades federais prometendo investir na educação básica. Brasil acima de tudo, Deus acima de todos, como na idade média. Como disse Darcy Ribeiro, a crise da educação no Brasil não é uma crise; é um projeto. Educação, a espinha dorsal do futuro do país, tem lombalgia e segue travada, engatinhando, com dor de coluna.

Rui Matheus Joaquim é psicólogo

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