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Não tenha dó!

Por Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

Quantas e quantas vezes você, leitor, foi o primeiros a bradar “que dó do fulano!”, sem se dar conta de que tal sentimento em nada acrescenta à vida daqueles. Quando se tem dó, o que se faz, na verdade, é diminuir a capacidade das pessoas em resolver os próprios problemas ou enaltecer-se sobre determinada pessoa, entendendo ser superior, fazendo com que se criem padrões negativos perante a própria capacidade de solução dos problemas ou fazendo com que o outro entenda ser digno de dó, por não conseguir resolver seus próprios dilemas.

O dó! Esse substantivo masculino, que para muitos aparenta ser um inofensivo sentimento de bondade, inconscientemente não os representa. Só faz subjugar as capacidades próprias ou alheias, diminuindo ainda mais o próximo.

Vamos ao exemplo mais trivial, ainda mais nessa fase de crise econômica: suponha que alguém perdeu o emprego e se encontra, neste momento, fragilizado pela situação, sentindo-se incapaz de encontrar novas oportunidades. Quando alguém diz “que dó do fulano, perdeu o emprego e tem família para sustentar”, simplesmente valida esse sentimento de incapacidade, fazendo com que a pessoa não consiga reagir perante seu problema. O mesmo acontece com quem sente dó de si próprio, encontrando o endosso de que precisava para se prostrar diante da vida. Ser um coitado é uma escolha que pode colocar as pessoas em um casulo, tornando-as inertes face aos problemas por corroborarem da situação em que se encontram.

Como se libertar? O primeiro passo é entender que, por pior que possa ser a situação, todos têm condições de vencê-la. Acreditar em si mesmo e nos outros! Não se culpar por estar em situação mais favorável do que o próximo. Sinta-se grato e merecedor por tudo aquilo que alcançou e nunca culpe o seu sucesso, ou a sua felicidade, pelo insucesso, ou infelicidade, do próximo. Para driblar o sentimento de pena para com si mesmo, conheça seus potenciais e qualidades.

Que tal trocar o dó pela compaixão? Colocando-se, de fato, no lugar do outro e buscando alternativas para ajudá-lo? Ter empatia é o primeiro passo para sair desta armadilha que a mente prega.

A.S. Vasconcelos é consultor de carreira

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