Artigo

A escola e o livro

Por Redação |
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Ontem foi o Dia Mundial do Livro. Este objeto está sempre ligado à escola. É nela que temos, geralmente, o primeiro contato com a leitura e com autores. A maioria das crianças só pega um livro pela primeira, em suas mãos, no ambiente escolar. É na sala de aula que são apresentados a esta plataforma. E muitas vezes, este contato é mediado de uma forma incorreta e o que era para ser um prazer passa a ser uma obrigação.

Por erro pedagógico, até pouco tempo atrás, os professores buscavam desenvolver o hábito da leitura em seus alunos por meio do medo. Tinha que ler para fazer um trabalho ou uma prova. A criança passava a ter uma relação de medo com o livro.

Além disso, a escolha das obras também era feita de forma errada. Crianças e pré-adolescentes eram logo introduzidos aos clássicos, cheios de parágrafos densos, palavras fora de seu cotidiano e estrutura de difícil compreensão.

As atuais gerações, no entanto, já gozam de um privilégio. A atual pedagogia e o próprio desenvolvimento do processo editorial proporcionam uma relação mais amistosa com o objeto de leitura. Obras mais coloridas e até impermeáveis já podem virar brinquedos para os ainda iletrados. A literatura juvenil deixou a prateleira do preconceito e passou a ser oferecida aos alunos em início de alfabetização como uma possibilidade.

Vejo, além disso, uma evolução desta relação criança/adolescente com o livro proporcionada pela aproximação das escolas com os pais. É de domínio comum que pais que leem na frente dos filhos ensinam por exemplo. Dados estatísticos provam que a criança que vê os pais com livros tornam-se mais leitores com o tempo. O objeto é desmistificado e o texto deixa de ser uma ameaça ou um labirinto. Infelizmente, apesar de todo este avanço, ainda somos um país de poucos leitores. Dados de 2016 da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil desenvolvida pelo Instituto Pró-Livro revelam que o brasileiro lê em média 2,43 livros por ano.

O baixo índice de leitura ainda é um desafio. Que as escolas continuem avançando no processo de mediar este primeiro contato com os livros. E que os pais sejam parceiros neste processo. O Brasil só tem a ganhar com isso!

Bruno Raphael de Souza é empresário

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