Artigo

O saneamento e a vida

Por Redação |
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Esta semana a imprensa (jornais e sites) divulgou as imagens dos caminhões trabalhando no asfaltamento do bairro Água Branca. São fotos plasticamente muito bonitas, com homens trabalhando, o piche sendo aplicado e as vias sendo transformadas. Pela importância da obra e pela beleza das fotografias, creio que realmente valem a pena as divulgações das imagens.

Pensei imediatamente em tantas outras obras tão importantes quanto a esta que não ganham as mesmas manchetes. Falo das redes de tratamento de esgoto, que ficam abaixo do solo e são facilmente esquecidas. Há um ditado, até, no meio político, de que prefeitos e vereadores não gostam de investir em saneamento porque elas despendem muito dinheiro e ficam enterradas, portanto, são esquecidas e não dariam voto.

Araçatuba, apesar de ter uma rede, se não 100%, mas perto disso, de captação e tratamento de esgoto, faz trabalhos de instalações e manutenções diárias. Eu, que hoje estou tendo a oportunidade de acompanhar de perto os trabalhos de uma administração pública, vejo o quanto este assunto mobiliza de recurso humano especializado e verba.

Diante disso, convido os leitores desta coluna a refletirem sobre a afirmação feita, nesta quinta-feira (11), pelo especialista sênior de Água e Saneamento do Banco Mundial, Marcos Thadeu Abicalil. Em evento em Brasília, ele disse que o Brasil precisa duplicar o investimento em água e esgoto nos próximos anos para atender às necessidades de universalização do serviço de saneamento. E, para isso, precisará criar novas formas de financiamento para o setor, como a inclusão da iniciativa privada e o aumento das tarifas.

Uma região que não tem saneamento básico acaba condenando gerações à morte precoce. Bairros com esgoto correndo a céu aberto têm maior mortalidade por doenças, maiores índices de violência e menores taxas de escolaridade. Não se pode ignorar que uma coisa leva a outra.

Araçatuba talvez esteja longe de passar por um processo tão traumático a curto e médio prazos. O Brasil precisa enterrar a ideia de que saneamento não dá voto e fazer com que a coleta e o tratamento de esgoto saiam melhores na foto.

Deocleciano Borella Junior é chefe de gabinete

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