Profissionais da educação lidam com a angústia de muitos pais e a distância de vários outros. As famílias, parte fundamental do processo de formação educacional das crianças, geralmente se dividem em três tipos: os que sufocam e cobram demais as crianças e as escolas; os que mantém uma distância tímida da escola, mas que visivelmente acompanham seus filhos e aqueles que nem se apresentam à escola e larga os filhos quase que à própria sorte.
Este último tipo, dos ‘desapegados e irresponsáveis’, é minoria. Para eles, a lei às vezes basta para lembrá-los que podem ser processados e até presos se houver uma negligência para com os menores.
Para os demais, a angústia fica pela culpa que pais e mães passam a viver por acharem que por mais que se esforcem estão fazendo pouco pelos seus meninos e meninos. A eles recomendo a leitura da obra “Pais e Mães Conscientes”, da especialista indiana Shefali Tsabary, que está disponível no Brasil por meio d trabalho da tradutora Talita Rodrigues.
Formada pela universidade americana de Columbia, Shefali tranquiliza a todos os pais lembrando, de cara, que não existem pais nem filhos ideais. Em seu livro, ela destaca que “fazer da convivência familiar algo harmônico é um processo cada vez mais trabalhoso, num mundo em que paciência e tempo para ouvir o outro são artigos raros e a maioria dos pais acaba projetando nos filhos seus próprios anseios e frustrações”.
Doutora em Psicologia Clínica, Shefali aborda, neste livro, que alguns dos principais desafios da árdua tarefa de educar e entender que a criação dos filhos não deve ser encarada como a fabricação de um novo “minieu”, mas como a chance de estimular da melhor forma alguém que possui identidade própria. “Comparando a educação de uma criança ao ato de andar numa corda bamba, em que os pais precisam se equilibrar o tempo todo entre o coração e a razão, a autora defende que criar um filho é uma grande oportunidade de mudança e crescimento”, diz ela.
Enfim, quando a criança entra para a escola, os pais também iniciam um processo de aprendizagem. A culpa em nada ajuda. É preciso ter equilíbrio.
Bruno Raphael de Souza é empresário
Fale com o Folha da Região!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.