Artigo

Então você se foi...

Por Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

Então você se foi. E nos deixou lá, em pé, com os olhos agitados procurando gravar na memória a imagem da sua silhueta ao longe. Acenos tímidos entre outros mais dramáticos. No caminho de volta à rotina, um vazio estranho. Porque despedidas sempre são abruptas, mesmo que anunciadas. Sempre são tristes, por mais que possam derivar de motivos alegres. São verdadeiras partidas, porque quem fica sempre perde um pedaço seu que parte com o outro. E quem parte sempre deixa algo de seu para trás.

Quem vai nunca mais é inteiro. Quem fica também não. São agora partes que esperam pelo reencontro. Esperam como o poeta russo Maiakóvski , que disse: “Até logo, até logo companheiro. Guardo-te no meu peito e te asseguro : o nosso afastamento passageiro é sinal de um encontro no futuro.” Mas o futuro é muito vago, incerto e indomável. O futuro não é dobrar a esquina e te encontrar, de imprevisto ou não, tomar um café, conversar… A distância complica o que antes era simples e não sabíamos.

E é quando nos despedimos que nos damos conta de que a ausência ficará. Porque mesmo que não nos víssemos, sempre tínhamos a certeza de ter você por perto. E essa certeza acabava por anular a urgência da visita. Que ficava sempre para depois. Outra hora. Outro dia. Que dia agora?

Somos exatamente assim. Somente com a falta, percebemos o valor do que não já não há. Como diz Carlos Drummond de Andrade, em seu poema “Memória”: “Amar o perdido deixa confundido esse coração. Nada pode o olvido contra o sem sentido apelo do não. As coisas tangíveis tornam-se insensíveis à palma da mão. Mas as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão.”

Sim, essas coisas ficarão na lembrança e darão origem àquele sentimento melancólico, que a partir de agora te define: Saudade.

Ana Laura de Almeida é cirurgiã dentista

Fale com o Folha da Região!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários