Artigo

Mulher, qualidade de vida e segurança

Por Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

Sábado (30) pela manhã estava na calçada da minha residência, quando inesperadamente uma moça aproximou-se, com semblante de quem estava em apuros e muito medo, e pediu para esconder-se na garagem, pois seu namorado a estava perseguindo para agredi-la.

Atendi ao seu pedido de socorro e na sequência observamos o tal namorado enfurecido seguir rumo à casa dela. Ainda amedrontada, desabafou “não sei o que fazer”. Questionei sobre qual providência desejaria tomar e sugeri que ficasse atenta com sua vida e integridade física. Dentre outros esclarecimentos a moça contou que o namoro era de três anos, já havia sido agredida, pelo WhatsApp falou ao rapaz para seguir a vida e que a fúria do sujeito se deu pelo fato dela ter ido a um baile com amigos na noite anterior. Uma mulher nessas condições normalmente seria julgada assim: “mulher de malandro, gosta de apanhar!”, “não larga porque não quer, prefere sofrer!”, “está nessa vida porque gosta”.

Numa reflexão sobre as dimensões do “Eu Psicológico e Social”, nenhuma mulher ou qualquer pessoa faz escolhas que possam causar sofrimentos. Não é do ser humano sentir prazer vivendo sob constante estresse, abusos, medo, risco de morte, tortura física ou psicológica. No caso da mulher que se mantém presa em um relacionamento violento, é presumível que seu Eu Psicológico esteja tão fragilizado e traumatizado ao ponto de estar incapacitado para qualquer reação, decisão e escolha.

Penso que o desejo de se ver livre do problema seja real mas, como o “Eu Psicológico e Social” estão adoecidos, nenhum passo adiante é realizado, pois inúmeros motivos a mantêm refém do companheiro violento: medo de ficar sozinha, submissão à violência, tempo de vida juntos, pena do outro, esperança de que o companheiro mudará com o tempo, dependência financeira, preocupação com filhos, sentimento de culpa, vergonha, falta de acesso à justiça, falta de apoio familiar e de amigos…

Outra consideração está na dependência emocional (simbiose), que possa existir no relacionamento conjugal, em que homem e mulher se sustentam nos diversos papéis sociais, o que leva à dependência de um em relação ao outro. Quando isso não é percebido, muito do relacionamento é operado pelo inconsciente, logo não há uma atitude racional por parte do homem agressor ou da mulher vítima. Ninguém escolhe sofrer!

Paulo Augusto Leite Motooka é coronel da PM

Fale com o Folha da Região!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários