O ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, deve urgentemente ser exonerado do cargo. Além dele, devem também sair os chamados “olavistas”, seguidores do ideólogo Olavo de Carvalho, e a ala teológica, dominada por evangélicos. Em relação a este último grupo, não por serem evangélicos, mas por fazerem da religião a força motriz de suas responsabilidades diante da educação brasileira.
Apesar do título acadêmico de doutor em Filosofia, Vélez já provou sua incompetência para gerir o gigantesco MEC, que possui a maior fatia do orçamento nacional (25%, no mínimo) e desafios que assustam até os mais experientes especialistas em Educação. Para um país que, segundo o próprio governo, tem mais de 11 milhões de analfabetos e outros 11 milhões de jovens desqualificados, Bolsonaro ainda não mostrou a que veio (nem no papel, sequer em atos).
Vélez não esteve na campanha do presidente, não participou das discussões de sua equipe sobre Educação (se elas existiram, de fato), não atuou na transição. É uma indicação de Olavo de Carvalho, homem sem formação acadêmica que não tem compromisso com o país: mora nos Estados Unidos, de onde fica atiçando brasas e criando crises para seus “aliados” resolverem. Para alguém interferir no MEC, formação acadêmica é fundamental; estamos falando de Educação, não do ranço ideológico promovido pelo popular astrólogo.
Após tantas decisões desqualificadas no MEC, recuos e demissões, o presidente Bolsonaro deveria constatar que gerir a Educação de forma ideológica não dá certo. Ele e sua equipe prometeram um governo técnico, mas não é isso o que estão fazendo. São seletivos, atacam bem formados e prestigiados especialistas e nomeiam pessoas sem qualquer demonstração de talento para os cargos. O único parâmetro para o MEC é alinhamento ideológico. Nem a meritocracia, exaltada por Bolsonaro e toda sua militância, existe aqui.
O ministro da Educação precisa sair do cargo e junto com ele os afetados “olavistas” e a ala religiosa. É mais que notória a incapacidade desta equipe de fazer a condução da política educacional brasileira. Em Araçatuba há gente mais competente para isso, sem dúvida alguma.
Fernando Henrique Bononi Verga é jornalista
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