Nunca ouvimos tanto a palavra corrupção como nos tempos atuais. Corrupção ativa, passiva, corrupção eleitoral, empresarial, corrupção na imprensa, no esporte… Temos a noção de que vivemos numa sociedade corrompida. Talvez de fato estejamos. O que é corrupção? Segundo ensina o dicionário, um dos significados do substantivo corrupção é a “adulteração das características originais de algo”.
Por esse prisma, falsificar um produto e vendê-lo como original ou como a conhecida réplica de “primeira linha” é corrupção. Adquirir um produto sabidamente falso, porque é mais barato do que o original, é corrupção. Estacionar o veículo em vaga preferencial também é corrupção. Se essas atitudes estão presentes no nosso dia a dia, vivemos numa sociedade corrupta.
O que muitos de nós não nos demos conta é de que agir contrário ao próprio discurso é também corrupção. Minha mãe costumava se referir à pessoa que assim agia com a expressão: “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Aquele que afirma algo em público, mas às escondidas procede de forma contrária, também é, por definição do dicionário, um corrupto.
O título deste texto não se refere especificamente ao movimento Vem Pra Rua ou a seus integrantes, embora, se observarmos com cuidado, podemos encontrar alguns corruptos entre os líderes do movimento. Corruptos porque pregavam uma atitude, mas atualmente praticam outra.
Um político que chega ao parlamento com um discurso crítico que empolga os eleitores, mas passa a proceder do mesmo modo daqueles que outrora criticava. Em âmbito nacional, podemos citar o discurso de que não se trocaria cargos por apoio no parlamento. Mais próximos de nós, podemos destacar aqueles que foram eleitos criticando a formação de bancada no parlamento, mas que, ao lá chegarem, rapidamente se integraram a uma bancada. Há na Câmara de Vereadores um projeto de lei que cria o Dia Municipal de Combate à Corrupção e, não por coincidência, a data é o dia da prisão do ex-Presidente Lula. Porém, já que seria uma data no calendário municipal, poderia ser também o dia 1º de janeiro. Entendedores entenderão.
Evandro da Silva é advogado
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