“Menino de 4 anos corta os pulsos por influência da Momo em vídeos e pais fazem alerta”. Nesta semana, espalhou-se rapidamente nas redes sociais e causou incômodo aos pais, um vídeo da boneca Momo que incentiva a autoagressão, resgatando assim idênticos riscos do tão falado jogo da Baleia Azul. Penso que muitos adultos ficaram preocupados, assustados e clamando talvez uma atuação das autoridades policiais.
Ao ter uma criança em casa com 10 anos de idade e com acesso diário aos canais do Youtube, Whatsapp, Instagram, Facebook, etc, percebo o quanto os pequenos ficam vulneráveis às informações que circulam nas redes. É pertinente sugerir aos pais uma reflexão quanto à permissão dada aos filhos para brincarem nos jogos do celular, tablet, IPad, de maneira deliberada, abrindo uma janela para que tragédias ocorram.
Isso acontece por desatenção, comodidade ou conveniência dos pais, pois as crianças ficam tão entretidas com os eletrônicos que parecem se acalmar, e assim se isolam do mundo real. Aí, sobra um espaço aos pais para relaxar e descansar, além do que podem aproveitar para acessar as curtidas e comentários de suas postagens, e acalmar os sintomas da nomofobia.
Ocorre que o Eu Social da criança é tão frágil e sensível quanto o Eu Psicológico, o Eu Biológico e o Eu Espiritual. Parece bem simples entender que a criança não possui uma consciência de mundo, assim como presumimos terem os adultos, por isso não conseguem distinguir a diferença entre segurança e perigo, bondade e maldade, sinceridade e falsidade. Daí porque as malvadezas sociais, envoltas e dissimuladas pelo lúdico, podem resultar em um final trágico e triste, como já vimos outrora.
O “Eu” das crianças necessita brincar, mas também de proximidade, atenção, carinho e afeto dos adultos, pois estes são os alimentos que as fortalecem e protegem dos perigos dos relacionamentos sociais presentes e virtuais. Não há outra opção aos pais senão acolher os pequenos, ouvir suas vivências e sentimentos, e juntos construirem ambientes seguros e protegidos, pois se assim não fizerem outros farão certamente. Sentimentos de culpa e arrependimentos não fazem o tempo voltar o momento é o aqui e agora.
Paulo Augusto Leite Motooka é coronel da PM
Fale com o Folha da Região!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.