Não vencemos sempre. Não conseguimos que as coisas aconteçam na hora que queremos todas as vezes. Não estamos certos em todos os momentos. Nem todas as pessoas gostarão de nós. Não seremos bem-vindos em todos os lugares. E nem sempre, receberemos promoções por mérito, por mais que mereçamos.
Não seremos o primeiro da turma em toda nossa vida escolar. Não tiraremos dez em todas as provas de todas as disciplinas. Não seremos os oradores de todas as formaturas. Também não nos manteremos bonitos para sempre. E nem viveremos eternamente.
Não seremos mães e pais perfeitos. Nem profissionais que nunca erram. Sequer seremos exemplos só de boas ações pela vida inteira. Talvez não produzamos “lixo zero”, só consigamos abolir o plástico e os pesticidas.
Talvez não fiquemos ricos, nem famosos. É possível que não encontremos o amor das nossas vidas para a eternidade. E o salário raramente vai dar para todos os nossos sonhos. Mas ainda assim é bem possível ter uma vida boa e plena.
Essa necessidade diária de atender aos anseios sociais e ser o primeiro, o mais culto, o mais preparado, o mais inteligente, o mais bonito, o mais rico, o “mais mais” só traz ansiedade, angústia, tristeza, depressão e suas consequências. Já não se trata de competitividade, é autodestruição.
Precisamos encontrar o equilíbrio para sermos capazes de produzir sem ser máquina, passar no vestibular sem ficar doente, formar sem entrar em crise, criar filhos sem ansiedade.
Sim, a dor existe. A tristeza ronda. As perdas machucam. Os “nãos” ferem. A rejeição deixa cicatrizes. Mas é preciso lutar, ser resiliente, insistir. Como diz um amigo, “sair da cama todas as manhãs transformou-se em um ato de coragem”. É sim. São tantas as injustiças, os crimes, o desamor, os discursos de ódio, mas se desistirmos, eles vencem. Não podemos. Não temos este direito.
Ainda dá tempo de desconstruir o discurso do homem-máquina pra viver um outro enredo. Você está convidado.
Ayne Salviano é gestora educacional
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