Nós tendemos a imaginar a boca como um órgão isolado do corpo humano. Esquece-se que a mesma corrente sanguínea que percorre todo o organismo percorre a cavidade bucal e os dentes também. Desse modo, é mais comum do que se imagina uma infecção que se origina em um dente causar infecções em outras partes do corpo. As bactérias presentes na infecção dental/gengival podem cair na corrente sanguínea e então ser levadas a outros órgãos, causando essas infecções.
Há alguns anos a modelo Renata Banhara postou fotos de seu rosto deformado por uma infecção bacteriana de origem dental. Essa bactéria, cuja origem foi um tratamento de canal antigo, teria se espalhado para os seios da face chegando ao cérebro. Seu tratamento foi longo, penoso e dura até hoje. Deixou sequelas, mas ela teve sorte e conseguiu conter a infecção. Menos sorte teve o cantor Ricardo Bueno (ex-Dominó) que faleceu em decorrência de uma infecção generalizada causada por um problema odontológico, no final de 2017.
Outra doença comum, com alto índice de mortalidade e que tem estreita relação com infecções dentárias ou gengival é a Endocardite Infecciosa. Nesse caso as bactérias se alojam na parede interna do coração ou das válvulas cardíacas (que geralmente já estão danificadas) onde se multiplicam. Portanto, qualquer pessoa que tenha um problema cardíaco e vai fazer um tratamento dentário precisa procurar seu médico previamente para que seja prescrito um antibiótico que deve ser tomado antes da ida ao dentista. Essa profilaxia antibiótica é importante para diminuir os riscos de contrair a Endocardite Infecciosa.
Porém a melhor prevenção ainda é cuidar da saúde bucal. As doenças bucais são em geral silenciosas, não doem no início, de modo que passam desapercebidas. Visitas periódicas ao dentista previnem que cáries se aprofundem a ponto de causar uma infecção na polpa dental, que é irrigada por esse mesmo sangue que pode levar essas bactérias a outras partes do nosso organismo. Assim como previne doenças gengivais, cuja infecção e sangramento podem causar o mesmo dano. Prevenir ainda é o melhor remédio.
Ana Laura Almeida é cirurgiã dentista
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