O prefeito de Birigui, Cristiano Salmeirão (PTB), disse que, apesar da crise financeira pela qual passa o município, sua gestão não ficou parada e buscou ampliar os serviços prestados à população. "Um governo em crise fecha tudo. Um governo como o nosso amplia", afirmou o petebista, que é o segundo entrevistado da série de entrevistas da Folha da Região com os gestores municipais, para fazer um balanço da primeira metade dos governos e cobrar promessas de campanha que ainda não saíram do papel.
Salmeirão disse que conseguiu cumprir quase todos os compromissos firmados nas eleições de 2016. Um dos que ainda precisam ser concretizados é a solução para o problema do abastecimento de água. Após um projeto de concessão plena da água e esgoto do município não ter avançado, o chefe do Executivo afirmou que tem um "plano B" para resolver a questão, que é crucial para a cidade atrair novos investimentos.
Confira trechos da entrevista que o prefeito concedeu à Folha da Região:
Quando o senhor assumiu a prefeitura, um dos problemas mais graves do município era a situação financeira. Um dos seus desafios era colocar a "casa em ordem". Como está atualmente o caixa da prefeitura?
A situação financeira é incômoda. Nós pagamos mais de R$ 30 milhões em fornecedores naquele momento. Quando assumi, a prefeitura tinha despesas fixas de R$ 21 a R$ 22 milhões e uma arrecadação, numa média de 12 meses, de aproximadamente R$ 19 milhões. Isso significa que, durante dois anos como prefeito, nunca conseguimos arrecadar o mínimo para equilibrar nossas contas. Mesmo assim, continuamos investindo na cidade. Hoje, temos dívida ativa de aproximadamente R$ 60 milhões, o que demonstra que a população está sem condições de pagar seus tributos. E a prefeitura depende dessa arrecadação para realizar suas atividades do dia a dia, ao mesmo tempo em que você faz a boa política de buscar verbas com os deputados.
Outro compromisso de campanha do senhor foi a melhoria do asfalto. Mas Birigui continua tendo muitos buracos.
Quando assumimos, 90% da cidade precisava ou de um recape, ou de uma pavimentação, ou tapa-buraco. A situação era terrível. Hoje, é necessário fazer muito mais, no entanto, nós já fizemos em dois anos mais asfalto do que o ex-prefeito em quatro anos. Atuamos em bairros que eram esquecidos pelas administrações anteriores, como Jandaia, Tereza Maria Barbiere, Vila Guanabara, Cidade Jardim, Calçadista e Vila Xavier. Temos licitações (de asfalto) para os bairros Pedro Marin Berbel e Izabel de Almeida Marin. Vamos atuar também no Ivone Alves Palma e em outra parte do Cidade Jardim. Nós pavimentamos a rua Durval Tanaka, que era um anseio da população desde a época em que assumi como vereador, assim como a finalização do Paineiras 2. Quemil, Atenas, Cohab 3 e agora vamos fazer também o Jardim Stábile, Jardim Manoela e Jardim Primavera. As outras administrações olharam mais o centro e esqueceram os bairros. Nós vamos investir em asfalto cerca de R$ 30 milhões e pretendemos melhorar a pavimentação da cidade em torno de 60%.
O senhor também firmou compromisso de terminar as obras que estavam em andamento.
Nós não ficamos parados. Em relação ao Centro do Professorado, foi aprovado um projeto entre 2015 e 2016 passando toda sua estrutura para a Fatec (Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo). Aguardei o ano de 2017. Fui duas vezes à Fatec, que ficou de estudar (o projeto). Em 2018, fui informado que ela não teria mais interesse naquele prédio. Entrei na posse do imóvel no início de outubro. Já pedi para a equipe um levantamento de toda a estrutura e do custo para finalizar a obra. Eu pretendo colocar lá o Paço Municipal com todas as secretarias, visando a economia com aluguéis. Neste mês de março, vou a Brasília pedir autorização ao MEC, pois existe recursos do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica) investidos ali. Sobre a antiga UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do bairro Jandaia, nós queremos transformar aquele local em uma cozinha piloto. Fizemos todos os projetos técnicos, que se encontram no FDE (Fundação para o Desenvolvimento da Educação), e estamos aguardando um aval do governo estadual. Nossa cozinha piloto é modelo para outras cidades, fazendo 16 mil refeições por dia. Também resgatamos juridicamente o Centro de Eventos. Eu penso em passar aquela estrutura para o Biriguiprev (Instituto de Previdência do Município de Birigui), para que ele possa finalizar a obra. E depois alugar para criar uma fonte de renda para o instituto. Finalizamos o CEU (Centro de Artes e Esportes Unificado), no bairro Cidade Jardim, que foi iniciado em 2012. Infelizmente, quando eu assumi, a Caixa Econômica Federal me informou que eu tinha três meses para concluir a obra e, graças a Deus, conseguimos entregá-la. Logo já estará funcionando. Concluímos o Distrito Industrial 2, que, na época em que assumi a prefeitura, estava com apenas 10% de suas obras finalizadas. Temos obras em andamento, como o CIE (Centro de Iniciação do Esporte), no bairro Portal da Pérola 2. Estamos construindo duas creches: uma no Portal da Pérola e outra no Pedro Marin Berbel.
Como está o processo para resolver o problema do abastecimento de água em Birigui?
Nós apresentamos um projeto de concessão plena da água. Porém, a população entendeu que não seria o correto, porque houve um movimento político com o objetivo de dizer que ele não era o ideal e, ao mesmo tempo, diminuir o prestígio do prefeito, visando às eleições de 2020. Estamos, agora, com o "plano B". A cidade tem um problema crônico: temos 30 quilômetros de tubos de amianto e redes de distribuição de água que ainda são de ferro. Além disso, nós precisamos modernizar nossa Estação de Tratamento de Água e Esgoto e arrumar o poço Aquapérola que tem mais de 20 anos e precisa de uma reforma. Necessitamos ainda perfurar um poço profundo no Portal da Pérola 2, para fazer a interligação dos poços de maneira que, quando uma bomba queimar, os poços continuem a abastecer toda a cidade. Após isso, precisamos parar o poço Aquapérola por dois meses para reforma. Eu não consigo levar água para a população se aquele poço não funcionar, por isso, precisamos perfurar um novo. Também temos que fazer a setorização da cidade, porque existe bairro que recebe água dos poços Matéria e Aquapérola e do ribeirão Baixotes, o que é errado. Por exemplo: o Aquapérola deveria abastecer determinados bairros, enquanto o Matéria abastece outros. Esse é o plano que vou apresentar. Não podemos brincar com a água, precisamos parar com o "achismo" e sermos profissionais aqui na prefeitura. É muita boataria maldosa que se faz em torno da água. Mas não ficamos parados nesse período. Instalamos adutoras no valor de R$ 1 milhão e fizemos a interligação do poço da Saudades com o Aquaperola. Nós também temos um mapeamento hídrico para saber quais canos precisam ser trocados.
O senhor também disse em campanha que trabalharia para trazer grandes empresas para o município, além de incentivar as que já estão na cidade. O que está sendo feito nesse sentido?
Nós já fizemos um café empresarial onde reunimos aproximadamente 400 empresários para mostrar Birigui para quem quer investir. Terminamos o Distrito Industrial 2, onde podem ser implantadas 100 empresas. Criamos leis de incentivo fiscal para startups e leis com objetivo de isentar de carga tributária - total e parcial - novas empresas que vierem para o município. A prefeitura acabou ajudando a implantar microrregiões de negócios. Em relação às grandes empresas, nós as chamamos para a cidade, mas, enquanto não resolvermos o problema da água, uma multinacional não vai vir, porque ela quer que o município ofereça toda infraestrutura. Mas não ficamos parados. Criamos leis e demos terreno. Basta, agora, as empresas virem. Além disso, foram abertas mais de mil MEIs (microempreendedor individual) durante os dois anos do meu governo.
Em relação aos compromissos de campanha que o senhor realizou, quais destacaria?
Consegui realizar quase todos. O único que não consegui foi o problema da água. Já temos o compromisso de 600 apartamentos pela CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo). Na saúde fizemos uma revolução. Nunca se falou em saúde especializada para criança. Hoje, nós temos o Ambulatório de Saúde da Criança e pronto-socorro para crianças. Nós temos: centro de ortopedia e de oftalmologia. Abrimos a UBS (Unidade Básica de Saúde) do bairro Colinas, que atende cinco mil pessoas. A UBS 1 está em reforma. Além disso, nós ampliamos nosso Centro de Especialidades e voltamos ao consórcio intermunicipal de saúde. Foram comprados 12 veículos novos. Um governo em crise fecha tudo. Um governo como o nosso amplia. Em relação à segurança pública, vamos abrir concurso para a Polícia Municipal e investimos em Romu (Ronda Ostensiva Municipal) e Romo (Ronda Ostensiva com Motos).
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