O cinema norte-americano faz no dia 24 a festa da firma: a entrega do Oscar. Realizada há 91 anos, é a maior honraria do setor e ajudou a popularizar filmes e a carreira de muita gente. Mas qual a importância disso? Quem vence é realmente o melhor do ano? Claro que não.
A festa é realizada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood que, historicamente, acumula glórias e muita polêmica. Consagrou nomes como o do diretor John Ford, vencedor em quatro oportunidades, mas nunca premiou Alfred Hitchcock, entregou prêmios “menores” a Charles Chaplin e deu apenas o troféu de Efeitos Visuais para Stanley Kubrick quando este dirigiu 2001: Uma Odisseia no espaço (1968). Conceder prêmios honorários foi estratégia muito usada para corrigir erros de outras edições.
O Oscar é uma festa norte-americana, essencialmente, e nos últimos anos vem se abrindo para o mundo por pressão externa de grupos de mulheres, negros, LGBT e artistas de outras nações. Mas, no final da noite, trata-se de uma festa, como os críticos americanos costumam dizer, de homens brancos, héteros e multimilionários, ou seja, o topo da cadeia alimentar do capitalismo.
Neste ano, se a votação fosse pela internet, a disputa seria entre Pantera Negra e Nasce uma estrela. Mas, a tendência é que Roma vença. Será a primeira vez que obra mexicana o faz, tornando-se a única não falada em inglês a ser premiada.
Filmes não falados em inglês têm uma relação conturbada com a Academia norte-americana. Muitos países fazem sua própria premiação de cinema, mas todos enviam representantes para participar (ou não) do Oscar. A categoria Filme Estrangeiro é para as obras não faladas em inglês e, nestes 91 anos, foram raras as vezes que um desses conseguiu indicações em outras, como diretor, roteiro, interpretação e filme do ano. É emblemático o caso do brasileiro Cidade de Deus (2002), que foi esnobado para filme estrangeiro, mas, um ano depois, foi indicado para roteiro, edição, diretor e fotografia numa tentativa de corrigir o erro, já que a obra de Fernando Meirelles havia ficado mundialmente famosa.
O Oscar é um recorte dos melhores do ano. O mérito é questionável, pois há muita pressão publicitária, interesses de grandes estúdios. Portanto, aprecie com moderação, já que seu filme favorito provavelmente não vá ganhar (ou nem estará lá).
Fernando Verga é jornalista
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