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Como melhorar?

Por Redação |
| Tempo de leitura: 3 min

Há um meio prático de se melhorar nesta vida, moralmente falando, resistindo às más tendências e procurando adquirir mais virtudes?

Sim! Tornarmo-nos mais pacientes, decididos, compreensivos, tolerantes e também mais determinados. E ao mesmo tempo mais dóceis no trato, mais gentis, mais dedicados no bem. E não é só: também mais responsáveis e comprometidos com as causas humanitárias, mais disciplinados nos comportamentos e mais conectados ao respeito às diferenças, às leis, às instituições.

E, claro, aprendermos a domar em nós mesmos os instintos agressivos e egoísticos, que tantos prejuízos causam na convivência.

Uma recomendação do filósofo Sócrates indica o melhor caminho: Conhece-te a ti mesmo!

Isso significa uma viagem interior de questionamentos, uma entrevista em que somos o entrevistado e o entrevistador. Sim, questionarmos a nós mesmos, avaliando diariamente o próprio comportamento para averiguar se alguém tem algo a reclamar de nós ou se cumprimos com o próprio dever no dia que passou. Esta autoavaliação pode ser resumida em cinco itens.

Interrogarmo-nos sobre o que temos feito; com que objetivo fizemos ou agimos dessa ou daquela forma; se fizemos algo que censuraríamos se praticado por outra pessoa; se algo fizemos que não ousaríamos confessar; se ocorresse a morte, teríamos temor do olhar de alguém?

Poderíamos ainda examinar se agimos contra Deus, contra nosso próximo e contra nós mesmos. As respostas obtidas nos darão o descanso para a consciência ou a indicação de um mal que precisa ser curado. Havendo dúvida sobre determinado comportamento, há ainda um passo decisivo: se estivermos indecisos sobre o valor de uma das ações, perguntemos como a qualificaríamos, se praticada por outra pessoa.

Se a censuramos noutrem, não a podemos ter por legítima quando formos o seu autor. Esta dica, inclusive, é precisa para possíveis questionamentos sobre ilusões do julgar-se a si mesmo, atenuando as faltas ou tornando-as desculpáveis. Se censuramos no comportamento de outra pessoa, é sinal que não aceitamos. E, portanto, trata-se de comportamento que não devemos adotar.

A formulação nítida e precisa de questões dirigidas a nós mesmos sobre o móvel de nossas ações ou o questionamento de nossas motivações é o caminho de nos conhecermos. E, convenhamos, conhecendo a nós mesmos, alcançaremos a reforma moral. Imagine-se agora se cada ser humano travar essa intensa luta consigo para melhorar-se a si mesmo: teremos um mundo melhor. É o que todos desejamos, não é?

Afinal, a melhora moral do planeta, com seus saudáveis desdobramentos, começa na intimidade individual. Isso influirá na educação dos filhos que igualmente fará homens de bem. O processo é simples no geral, complexo nos detalhes, mas é o único caminho se desejamos melhorar o mundo em que vivemos.

Tolas vaidades, egoísmo, prepotências e arrogâncias, orgulho de qualquer origem, ciúmes e invejas já estão ficando fora de moda e incompatíveis com a nova era que a Humanidade está construindo. É hora de demiti-los. Não precisamos deles.

Para viver melhor, é preciso ser melhor! É o que ensina Agostinho na notável questão 919 de O Livro dos Espíritos, obra básica do Espiritismo codificado por Allan Kardec.

Orson Peter Carrara é escritor espírita. Descreve esta Face Espírita/Ano 11 para publicação na Folha da Região

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