Brumadinho, Flamengo, Boechat. Até aqui, o ano de 2019 nos envia um recado claro e incômodo, a consciência de nossa finitude. Do alto de nossas mais ilusórias distrações, e de nossos mais profundos anseios, lembremo-nos: nós vamos morrer. Encontraremo-nos “com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo, morre” escreveu Ariano Suassuna.
Fica casa, fica carro, fica o cargo. Sua mulher ficará viúva e vai se casar com outro cara. Talvez com um cara legal, talvez com um cretino. Quem sabe? Sabe aqueles itens pessoais que lhe são muito valiosos? Umas paradas que lhe são tão preciosas (emocionalmente) que você não curte nem emprestar? Serão doadas ou jogadas fora assim que São Pedro “jogar a tarrafa”.
Você vai viver na memória de alguns por um tempo, isso dependerá da qualidade de pessoa que você foi. A vida não é tão cara como a gente gosta de reclamar. Viver é barato, caro mesmo é se exibir.
No filme “Antes de partir” há uma cena onde o personagem de Morgan Freeman (Carter Chambers) explica a seu amigo Edward Cole (Jack Nicholson) que os egípcios acreditavam que após a morte, ao chegarem aos céus, eram interrogados pelos deuses e suas respostas definiriam se lhes seria permitido entrar ou não no paraíso, as perguntas eram: Você encontrou alegria em sua vida? Você levou alegria a vida de outras pessoas?
A pesquisa científica tem buscado compreender o que é uma vida feliz.
A psicologia positiva tem nos mostrado, de forma objetiva e consistente que a vida feliz tem três aspectos. Eu não sei qual desses perfis é o seu. Só sei que vamos morrer. A vida é ato teatral, as cortinas se abrem ao nascimento e se fecham na morte. Você é o roteirista e o protagonista. A vida é viagem, com partida e destino final. Aproveite o passeio, desprenda-se, você é uma pessoa e não uma árvore para ficar plantado. A vida acontece no dia de hoje, no agora! Transforme o momento atual em algo belo e de valor e ofereça de presente a si mesmo e aos outros. Esse singular e exato momento é uma dádiva e é por isso que ele se chama presente.
Rui Mateus Joaquim é psicólogo
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