Saúde

Janeiro Branco: Saúde mental importa

Por Redação |
| Tempo de leitura: 4 min

As pessoas já se acostumaram com cores e temas em cada mês, como o Outubro Rosa e Novembro Azul e, em janeiro, não é diferente. A campanha Janeiro Branco alerta a população sobre a saúde mental.

Segundo o portal oficial do projeto, a campanha é dedicada a estimular que a pessoa pare e pense sobre sua vida, o sentido e o propósito, a qualidade dos seus relacionamentos e o quanto conhece sobre si mesma: suas emoções, seus pensamentos e seus comportamentos.

Um dos objetivos do Janeiro Branco é chamar atenção da população para os temas da saúde mental e da saúde emocional na vida, fazendo uma simbologia ao início do ano para incentivar e refletir a respeito. Outra meta importante é fortalecer e disseminar uma cultura da saúde mental que favoreça, estimule e garanta a efetiva elaboração de políticas públicas em benefício da dos indivíduos e das instituições.

A psicóloga Mariane Bomfim explica que janeiro é um mês em que as pessoas estão mais abertas a mudanças, no qual fazem listas e propostas para o novo ano, querendo deixar para trás aquilo que faz mal. "Pensando nisso, os Conselhos Regionais de Psicologia, desde 2014, tentam colocar na mídia assuntos que dizem respeito a cuidar de si mesmo, perceber a qualidade de seus relacionamentos, pensamentos e atitudes diante da vida."
De acordo com a psicóloga, o projeto Janeiro Branco propõe atitudes simples, nada muito elaborado. O objetivo é prevenir e não curar, fazer que as pessoas pensem sobre como seus pensamentos e ações podem mudar conforme refletem mais sobre isso. "Se a pessoa já tiver a vontade de parar e pensar sobre a saúde mental, buscando nas redes sociais ou nas mídias algo sobre como ela pode se sentir melhor com ela mesma, ou simplesmente pesquisar sobre o que é saúde mental, a campanha já cumpriu o objetivo."

Para ela, saúde mental é um assunto um tanto polêmico. "Só o nome já remete a preconceitos que foram enraizados pela nossa cultura: de que psicólogo é coisa de louco, que cuidar dos sentimentos só serve para pessoas fracas. E é exatamente isso que o Janeiro Branco quer combater. Precisamos criar uma cultura que entenda que com atitudes simples podemos cuidar do nosso bem-estar emocional", destaca.

A psicóloga ainda dá algumas dicas de como realizar a prevenção do adoecimento da saúde mental, baseada na campanha deste mês. Ela cita atitudes como estar mais presente na vida das pessoas, sair com os amigos, visitar familiares. Em vez disso, a população fica no celular o tempo todo checando notificações e vendo feeds infinitos das redes sociais. "Viver a vida com respeito, precisamos conhecer nossas limitações e respeitá-las, descobrir o que nos faz sentir mal e lidar com essas questões, estar disposto a mais diálogo. Nós acabamos de sair de um ano turbulento, em que se evitou o diálogo ou debate ao máximo. E para cuidar da nossa saúde mental precisamos exatamente do contrário. É importante ouvir o outro, mesmo sem concordar, e respeitar suas crenças e ideologias; cuidar da sua saúde; buscar cada vez mais se conhecer; se dar um tempo. Com as redes sociais, vemos sempre o outro dando certo, o outro conseguindo um bom emprego, viajando, tendo um relacionamento perfeito e acabamos nos cobrando essas metas inalcançáveis; procurar sentido nas coisas que fazemos. Enfim, pensar também no que te traz ansiedade e no que te faz mal, isso já vai ajudar a não adoecer."

Ela ainda diz que sempre foi e sempre será importante falar sobre o tema, sendo que as pessoas também estão buscando saber mais. Um exemplo disso são os best sellers sobre mindfulness (em português Atenção Plena), que no contexto da psicoterapia se caracteriza pela autorregulação da atenção para a experiência presente. "É muito característico dessa geração a busca da atenção plena e em como controlar as ansiedades cotidianas", explica.

Hoje, muitas pessoas falam sobre a ansiedade, depressão e síndrome do pânico nas redes sociais. Segundo Marine, as doenças mentais são características de uma população que esquece de cuidar da saúde mental, que foca em objetivos materiais, trabalha muito, tem a mente sempre cheia de coisas que não fez, coisas que queria ter feito, metas que precisa bater. Em vez de lidar com isso, acaba tentando compensar inconscientemente, de forma compulsiva e doentia.

"Não temos como simplesmente deixar de trabalhar, porque precisamos de nossos empregos, mas também não temos como simplesmente evitar de sentir tudo isso, porque é cultural. Então, ser consciente de nós mesmos, de nossos pensamentos, já ajuda a lidar melhor com esses sintomas que aparecem. Lembrando sempre que quando já instalada a doença - depressão e transtorno de ansiedade - é imprescindível a busca por um profissional qualificado, que vai mostrar caminhos eficazes para amenizar e lidar com essas doenças", finaliza.

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