Faça chuva ou faça sol, visitar a Barra da Tijuca é encontrar inúmeras surpresas.
Localizada na zona oeste carioca, a Barra da Tijuca é o destino carioca mais procurado, mas não deixa de abrigar, também, os cariocas da gema. Em termos de economia e destino turístico, segundo dados do Sindhotéis Rio, a Barra/São Conrado foi o destino eleito por 83% dos turistas, ficando atrás apenas de Leme/Copacabana (87%) e Ipanema/Leblon (86%).
A Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, é, por si só, um reduto único. Cercado por muito verde tem, além das praias, diversas atrações turísticas e culturais. Com inúmeros restaurantes descolados, concentra grande parcela de casas nobres ou locais mais simples, para o dia a dia, com comida caseira e revestido de informalidades. Museus, shows, teatro, óperas e musicais diversos também fazem parte do menu cultural desta "cidade" incrustada no meio do Rio de Janeiro.
A reportagem viajou a convite do hotel Grand Hyatt Rio de Janeiro e, apesar da chuva que caiu sem trégua nos dias da visita, a variedade de passeios possíveis surpreendeu.
CIDADE DAS ARTES
A história da Cidade das Artes passa por períodos de muita incerteza. Quem conhece a casa hoje, com a sua Grande Sala majestosa e imponente, toda revestida em vermelho, não imagina que, há pouco tempo, o prédio era considerado um "elefante branco". Foi pelas mãos do arquiteto francês Christian Portzamparc que o projeto foi concebido e executado para se transformar no coração artístico da Barra da Tijuca. O prédio escultural, com toda a fachada em cimento, erguido a 10 metros do chão, tem uma programação cultural intensa e está aberto à visitação gratuita, tendo também, eventos pagos. As atividades são filmadas e gravadas e fazem parte de um acervo que fica disponível no site da entidade www.cidadedasartes.rio.rj.gov.br.
Na Grande Sala, semanalmente, peças, musicais, shows e espetáculos dignos de tirar o fôlego. Foi por lá que passaram e fizeram sucesso "A Noviça Rebelde", Baryshnikov, Roberto Carlos, o Rock'n Rio Musical, dentre muitos outros. A Grande Sala comporta 1250 pessoas e tem todo o preparo eletroacústico necessário para que os espetáculos sejam sentidos em sua totalidade. Aliás, todas as salas da Cidade das Artes foram pensadas para abrigar orquestras e hoje, são diversos projetos que acontecem no local, incluindo oficinas de dança e culturais, além de projetos de leitura, visando dar o retorno social que um empreendimento deste porte proporciona.
Além disso, exposições e mostras itinerantes e permanentes, como a maquete de Lego que foi construída retratando o Rio de Janeiro, exposta pela primeira vez nas Olimpíadas e que depois foi doada para a Prefeitura do Rio, merece um local de destaque dentro da edificação, onde está aberta a visitação pública e gratuita nos horários de funcionamento da Cidade das Artes (sob consulta). A obra tem quase 1 metro de altura, 35 m² de área construída e foi realizada com a utilização de 947 mil peças de Lego, pesando mais de 1,5 tonelada. São retratados com perfeição o Cristo Redentor, o Pão de Açúcar, o Copacabana Palace, o Calçadão de Copacabana, o Arpoador, o Calçadão de Ipanema, Lagoa Rodrigo de Freitas, o Jardim Botânico, Floresta da Tijuca, Morro Dois Irmãos, Pedra da Gávea, Parque Olímpico do Rio, Parque Radical, Parque Madureira, Estádio Olímpico Nilton Santos (conhecido popularmente por Engenhão), Igreja da Penha, Avenida Brasil / BRT, Estádio do Maracanã, Sambódromo da Marquês de Sapucaí, Praça Mauá, Arcos da Lapa, VLT, Aterro do Flamengo, Comunidade Dona Marta e a Catedral Metropolitana. Um deleite para os olhos a perfeição e a riqueza de detalhes com que foi produzida a maquete.
A Cidade das Artes possui, ao todo, seis salas onde podem ser realizados desde eventos, shows, musicais, teatros, orquestra de Câmara, bem como, eventos corporativos, que ajudam na manutenção de toda a estrutura.
Diariamente, o local também é cenário para a produção de fotos de campanhas publicitárias devido à neutralidade de sua construção.
De fácil acesso, descendo no Terminal Alvorada (ônibus), existe uma passagem subterrânea que o liga à Cidade das Artes, em segurança.
Dentre as programações já anunciadas para os próximos meses, o Bem Sertanejo, com Michel Teló, volta aos palcos da Grande Sala entre os dias 4 e 20/01/2019.
SÍTIO BURLE MARX
Com uma área total de 405 mil m², o sítio Roberto Burle Marx (1909-1994) está concorrendo ao prêmio mundial de patrimônio da humanidade pela Unesco. O local, que já é uma unidade especial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), é responsável pela preservação, pesquisa e difusão do legado deixado pelo paisagista e artista. Onde antes havia uma plantação de bananas, está localizado hoje, na Barra de Guaratiba, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, próximo à Barra da Tijuca, um enorme acervos de plantas das mais variadas espécies.
Além dos mais de 3 mil projetos de jardins públicos e privados, e uma extensa produção no campo das artes visuais (joias, gravuras, pdesenhos, esculturas, dentre outros), foi no sítio, adquirido em 1949 juntamente com seu irmão, Guilherme Siegfried que Burle Marx reuniu, organizou e cultivou espécies nativas e exóticas de plantas trazidas de suas expedições.
Ainda em vida, Burle Marx doou suas pesquisas e o sítio, com a garantia de que continuasse morando no local e, também, de que os funcionários que ali trabalhavam fossem mantidos, tornado-se servidores federais. Entre as espécies cultivadas, orquídeas, bromélias, filodendros, helicônias, palmeiras e muitas outras que foram adaptadas ao clima e solo brasileiro.
A casa onde morava transformou-se em museu para a exposição de parte de sua obra, cujo acervo está sob a responsabilidade de preservação do Sítio. Em seu inteirior, existem ainda uma pequena capela do século XVII, que foi totalmente restaurada por Burle Marx e recebe, inclusive, eventos que somente podem ser decorados com flores e folhas crescidos no sítio, evitando-se assim, perigo de contaminação por espécies trazidas de fora.
Apesar da chuva fina que caía durante a visita, a atenção da bióloga, monitora e educadora Suzana Bezerra tornaram o passeio especial.
A entrada para o Sítio custa R$ 10, podendo ser agendada, também, visita monitorada que leva a um roteiro por onde são passadas todas as informações relevantes e curiosidades do local. O Sítio Burle Marx é candidato ao patrimônio mundial, já está com o dossiê encaminhado e, se tudo der certo, em 2020 passa a figurar na mesma lista em que estão o Parque Nacional do Iguaçu, a cidade histórica de Ouro Preto, a ilha de Fernando d Noronha e o Atol das Rocas, o Taj Mahal, a Catedral de Notre Dame e muitos outros locais de preservação pelo mundo todo. Mais informações podem ser obtidas no site http://sitioburlemarx.blogspot.com
MUSEU CASA DO PONTAL
Localizado no Recreio, , numa reserva ecológica e próximo à Barra da Tijuca, o Museu Casa do Pontal pode ser considerado, hoje, o mais significativo museu de arte popular do país. Em sua exposição permanente estão cerca de 5 mil obras de 200 artistas, oriundos de 24 estados brasileiros. Este acervo foi adquirido pelo francês Jacques Van de Beuque durante mais de 40 anos. Seu patrimônio foi tombado em 1991. Mas foi em 2005 que recebeu a "Ordem do Mérito Cultural", principal honraria concedida às instituições e personalidades que se destacaram com ações a favor da cultural brasileira.
A visita pelo museu é algo inusitado. De maneira "musicada" a monitora vai contando a história e as obras expostas, que vão desde manifestações em barro (esculturas feitas em cerâmica) até as "geringonças" construídas por estes artistas e que retratam cenas do cotidiano como um bando de cangaceiros, o vendedor com a caixinha de música ou a apoteose da Sapucaí. Estas máquinas são construídas com mecanismos próprios, inventado por cada um dos artistas e pode ser ligadas e manuseadas pelos vistantes.
A exposição segue uma sequência lógica organizada pelo próprio Van de Beuque e tem início com as profissões retratadas aos olhos de artistas que, em sua maioria, não possuíam qualquer grau de instrução. Passa também por cenas da vida rural, pelo ciclo da vida, onde podem ser vistas famílias, gestantes, parturientes e adentra as festas populares brasileiras, com o boi-bumbá que pode ser tocado e "utilizado" pelos visitantes. Jogos e diversões, de meninos e meninas, expostos em lados opostos, assim como aconteciam as brincadeiras antigamente, trazem lembranças da infância daqueles que costumavam brincar nas ruas, subir no pau de sebo, andar nas pernas de pau, pular fogueira, dentre outras.
Na sequência, garrafas de areia e alguns bichos trazem um pouco da simplicidade com que o artesão realiza sua obra. São pinturas com areia colorida em garrafas, feitas com uma precisão inigualável. Em seguida, do imaginário dos artistas, saem figuras que podem ser tratadas como "bicho-papão", dentre outras lendas que povoam a mente e a simplicidades de pessoas que viviam para retratar o cotidiano. Uma sala de arte erótica com características divertidas está na sequência, mas, devido à restauração e catalogação, estava fechada para visita.
O cotidiano dos cangaceiros, de Lampião e Maria Bonita, que contam a saga de parte do povo nordestino, também é retratado, no corredor, em diversas peças que trazem uma pequena amostra da riqueza de detalhes da história do Brasil que se funde às religiões brasileiras, trazidas pelos escravos e o sincretismo religioso dos orixás da umbanda. E por fim, como tudo no Brasil termina em festa, o último ambiente retrata o Carnaval carioca, com a grandiosidade de cada uma das escolas de samba que abrilhantam a festa todos os anos. Um "geringonça" enorme, com o mecanismo à mostra, confirma o talento e a criatividade desses artistas populares, muitos deles, desconhecidos. E foi ao som do samba que nos despedimos desta expedição cultural realizada em dias de chuva no Rio de Janeiro.
Uma mostra itinerante do museu intitulada "(RE) Inventar - Artistas Criadores", trouxe para Birigui, no final do ano passado, durante as atividades de reinaguração da sede da entidade na cidade, obras de 23 artistas populares de quatro estados brasileiros. O museu está aberto de terça a sexta, das 9h30 às 17h; aos sábados, domingos e feriados, funciona das 10h30 às 18h. Para agendar visitas teatralizadas ou guiadas para grupos, é necessários agendamento especial. Mais informações em www.museucasadosol.com.br
GASTRONOMIA
Fundado há 18 anos pelo chefe Alex Herzog, o In House Bistrô conquista pelo ambiente agradável e pela variedade de pratos que podem ser degustados a vontade no bufê. Localizado no Rio Design, a casa que tem André Herzog, filho do chef, como gerente, tem uma variedade pratos que lembram a comida feita em casa. Primando pela qualidade, os pratos são todos preparados com ingredientes frescos, não utilizando nenhum condimento industrializado na cozinha. Destaque para as degustações de vinho e para a maneira como os pratos são servidos, sempre acompanhados do bufê. Peixes, carnes, frangos, tudo é preparado à moda antiga.
A casa é também conhecida por sua adega, mantida por André, que também é sommelier e está sempre andando pelas mesas, conversando com os fregueses. É dele a ideia do wineflight, uma degustação de vinho em três tempos, servido em taças de 75 ml. A casa não possui filiais, pois tem a filosofia de manter a qualidade e o atendimento diferenciado prestado pelos donos.
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