A Prefeitura de São José dos Campos pretende enviar um ofício ao Ministério Público para que os organizadores da festa de dia das crianças no Campo dos Alemães que terminou em confusão na última quarta-feira (12) sejam responsabilizados pelo tumulto generalizado ocorrido após o evento.
Na manhã desta sexta-feira (15), em entrevista a OVALE, o prefeito Anderson Farias (PSD) disse lamentar o ocorrido, mas confirmou a ida ao MP, já que, segundo ele, o poder público ficou sabendo do show três dias antes da festividade acontecer e, previamente, informou à organização que não haveria tempo hábil para a realização de uma apresentação artística local pela falta de laudos e vistorias do Corpo de Bombeiros.
“Sim [entrará com a ação no MP], sem dúvida. O que aconteceu lá foi inadmissível. Eu lamento. A prefeitura autorizou uma festa infantil na região, assim como aconteceu em outras partes da cidade, mas na terça-feira descobrimos que um show no local estava sendo anunciado. Fizemos contato com a organização e avisamos que não estava permitido. Falamos com o músico também, inclusive. Para realizar um show, seja em área privada ou pública, é necessário se cumprir regras”, afirmou o chefe do Executivo joseense.
A reportagem teve acesso ao alvará que libera a interdição da Rua Benedicto Turco e da Avenida dos Evangélicos para a festividade. Contudo, o documento informa a necessidade de eventuais estruturas montadas pelo organizados “atender às orientações do Corpo de Bombeiros, Vigilância Sanitária e da Fiscalização de Posturas”.
Em relação à postura da Polícia Militar para fazer a dispersão da população no local, o mandatário afirmou ser “irresponsabilidade fazer qualquer julgamento inicial” e disse acreditar que não houve excessos.
“Não acredito [que houve excessos]. Aliás, não posso dizer isso agora. Seria irresponsabilidade minha fazer qualquer julgamento agora. A Polícia Militar e nossa Guarda Civil Municipal são muito bem treinadas. Ali ela agiu porque foi necessário. Só precisamos saber quais foram as ações para que ela tivesse essa reação”, afirmou.
Já em questão aos artistas que se apresentariam no local, o prefeito destacou não existir qualquer ligação entre o estilo musical dos cantores e o impedimento da realização do show. À reportagem, uma moradora afirmou que ouviu de um agente da prefeitura que “funk não era música para criança”. Anderson negou.
“Não teve nada a ver com a música. Eles são cantores da cidade e já fizeram apresentações em outros lugares. O problema que nós temos é com a estrutura do local. Eu cantando não atrairia nem 10 pessoas. Eles não. São grandes artistas e reúnem milhares de pessoas. É justamente por isso que se precisa de uma grande infraestrutura”, concluiu.
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CASO
O local recebia uma festividade de dia das crianças e estava com a Rua Benedicto Turco e a Avenida dos Evangélicos fechadas para o evento.
O tumulto teria começado após a apresentação do MC Paiva no local. A polícia utilizou na ocasião bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha para dispersar a multidão.
POLÍCIA MILITAR
Em nota, a Polícia Militar afirmou que "atuou na desobstrução da via ao término de um evento não autorizado pela prefeitura".
A corporação alegou ainda que as equipes foram hostilizadas por alguns moradores, que arremessaram objetos em direção aos agentes, e que por isso houve a "utilização de meios necessários para dispersar as mais de 500 pessoas presentes no local e salvaguardar vidas".