Vídeos de pessoas defendendo o uso da marca ou ingerindo algum conteúdo na garrafa de detergente Ypê começaram a circular nas redes sociais desde que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento de lotes de produtos por risco de contaminação bacteriana. A mobilização ganhou o nome de “Somos Todos Ypê” e foi impulsionada por grupos que passaram a questionar a decisão da agência reguladora.
Relembre o caso: Anvisa manda recolher produtos da Ypê após falhas sanitárias
A Anvisa suspendeu lotes de detergentes, lava-roupas e desinfetantes da marca identificados com final 1 após apontar irregularidades em etapas consideradas críticas do processo de produção. Segundo informações divulgadas, os produtos apresentavam risco de contaminação pela bactéria Pseudomonas aeruginosa, associada a infecções graves, principalmente em pessoas com imunidade baixa.
Após a medida, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro passaram a divulgar vídeos utilizando ou bebendo algo que, supostamente, seria detergente, para contestar o alerta sanitário e alegar perseguição política contra a empresa, uma vez que os donos da Ypê doaram valores à campanha de reeleição de Bolsonaro em 2022.
Ministro se pronuncia
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, criticou os conteúdos e afirmou que a Anvisa atua com base em critérios técnicos, sem motivação partidária. Segundo ele, o diretor responsável pela área que recomendou a suspensão foi indicado durante o governo Bolsonaro.
Padilha alertou que pessoas não devem ingerir detergente de nenhuma marca e classificou os vídeos como desinformação com potencial de colocar vidas em risco.
Na sexta-feira (9), os produtos foram liberados novamente após recurso apresentado pela empresa, mas a recomendação para que consumidores evitem utilizar os lotes citados permanece válida até a conclusão do recolhimento.
Com informações da CNN Brasil.