TRAGÉDIA

'Princesa Lili está no céu', diz mãe de menina morta com um tiro por amiga de 12 anos

Por Da Redação | Taubaté
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Reprodução/Redes Sociais
Jéssica ao lado da filha, Lili, morta por uma amiga com um tiro na nuca
Jéssica ao lado da filha, Lili, morta por uma amiga com um tiro na nuca

"Isso tem que acabar, criança que faz uma crueldade dessa, não é criança", diz trecho de um desabafo doloroso postado nas redes sociais por Jéssica Higino, mãe da menina Ana Lívia, de13 anos, morta por uma amiga de 12 com um tiro na nuca na última terça-feira (27), quando se preparava para ir para a escola em  Taubaté. O crime chocou o país Brasil e o assasinato da "linda princesa Lili que brilha no céu", como descreve a mãe em seu perfil no Facebook, se tornou pano de fundo para debates na internet, sobre a facilidade de acesso a armas e também a respeito da responsabilidade de crianças e adolescentes.

Em seu perfil, Jéssica deu início a uma campanha a favor da redução da maioridade penal e uma passeata está marcada para o próximo dia 5, na praça Santa Terezinha, às 19h30, no centro da cidade. Diariamente, a mãe posta uma foto da filha acompanhada das hastags #chegadeimpunidade e #fimdamaioridadepenal, pedindo que a postagem seja compartilhada.

"De ontem para hoje, venho recebendo mensagens, e de muitas pessoas que não conheço, mais se compadeceram com o meu luto. Infelizmente ele não termina, mais primeiramente gostaria de agradecer a cada mensagem, cada oração... E tbm hoje se inicia uma nova etapa da minha vida, onde a estrela que brilhava aqui, agora brilha no céu, mais também se inicia uma nova luta, o fim da impunidade, e da maioridade penal. Isso tem que acabar, criança que faz uma crueldade dessa, não é criança. Todos os dias vou colocar fotos dela, vamos compartilhar o máximo possível, isso tem que acabar!".

Após a tragédia, que comoveu o país, a família tem recebido milhares de mensagens de apoio, vindas de todos os cantos do Brasil. "Todas nós mães estamos com você, vou ajudar no compartilhamento, esses jovens tem idade para fazer crueldade então tem que ter idade pra responder por eles. Força mãezinha", dizia um dos mais de 1.200 comentários no post. "Acho que não deveria ser julgado por idade e sim pelo crime. Assassinato, é assassinato, não importa se o criminoso tenha 30 ou 12 anos", afirmou outra.

A maioridade penal a partir dos 18 anos está estabelecida na Constituição de 1988, no artigo 228, que afirma que os menores de idade são inimputáveis e estão sujeitos a norma especial.

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O CRIME.

O caso aconteceu no bairro Jardim Paulista. A menina de 12 anos confessou para a polícia que atirou contra a nuca de Ana Lívia antes de ir para escola -- ela disse que a arma, uma pistola calibre 380, pertencia a um tio, que é agente de segurança pública.
No dia do crime, Lívia ligou para avisar à mãe que sua amiga iria mais cedo para sua casa. Esse procedimento era rotineiro, já que Lili, a menina de 12 anos e outra amiga iam juntas para a escola de carona com a mãe dessa colega de escola.

Algumas horas depois, a mãe que levaria as garotas à escola ligou para Jéssica, avisando que Lívia não havia aparecido e que a menina de 12 anos, que matou Ana Lívia, havia mandado uma mensagem dizendo que havia voltado para casa para buscar um tênis. Jéssica voltou para casa por volta das 13h. Lá encontrou a filha no quarto, deitada de bruços, em cima de um criado mudo. “Ela recebeu um tiro na nuca e caiu em cima do móvel”, explica a mãe. Ela diz que a atiradora teria abraçado a filha e feito o disparo.

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A menina que fez o disparo foi à escola normalmente depois do crime e foi apreendida horas depois, quando confessou o caso e foi levada à Fundação Casa de São José dos Campos. De acordo com a mãe da vítima, Lili e a atiradora eram amigas e haviam tido uma discussão por ciúmes de outra colega. A atiradora teria dito que a filha de Jéssica teria “roubado” sua amiga.

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