Imagine despachar sua mala normalmente, embarcar para outro país e, ao chegar ao destino, descobrir que uma bagagem identificada com seu nome contém drogas. O cenário parece improvável, mas é justamente a estratégia de um golpe que entrou no radar das investigações da Polícia Federal.
O esquema conhecido como golpe da troca de etiqueta de bagagem envolve a retirada da identificação de uma mala legítima e sua colocação em outra bagagem, que pode estar carregada com drogas. A mala adulterada segue viagem com os dados do passageiro que não tem relação com o conteúdo ilícito.
O risco é ainda maior porque a troca ocorreria em áreas restritas dos aeroportos, às quais passageiros comuns não têm acesso. Investigações da Polícia Federal apontam o Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, como um dos locais onde esse tipo de ação foi investigado.
A situação pode gerar consequências graves para o viajante. Caso a mala seja apreendida no exterior, a etiqueta pode fazer com que o passageiro seja inicialmente associado à bagagem e tenha de apresentar provas para demonstrar que não é o responsável pelo conteúdo.
Registre sua mala antes de despachar
Como a possível adulteração acontece depois que a bagagem deixa as mãos do passageiro, uma das principais formas de se resguardar é criar registros que mostrem exatamente como ela estava no momento do despacho.
Uma gravação simples feita no aeroporto pode ajudar a estabelecer uma espécie de histórico da bagagem. O ideal é registrar imagens antes de entregá-la à companhia aérea e guardar os comprovantes até o fim da viagem.
Mostre o peso no check-in
Uma das informações mais importantes é o peso da mala. Antes de despachá-la, faça um vídeo mostrando a bagagem sobre a balança e o valor indicado no visor.
O registro pode ser útil caso surja uma diferença significativa posteriormente. Uma mala despachada com determinado peso e que apareça no destino com uma quantidade muito maior de bagagem pode ser um elemento importante para esclarecer uma eventual fraude.
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Filme o conteúdo antes de fechar
Também é recomendável gravar o interior da mala antes de fechá-la. Mostre roupas, objetos pessoais e demais itens que estão sendo transportados.
Na mesma gravação, registre as características externas da bagagem, como cor, marcas, adesivos, arranhões, fitas e outros detalhes que possam ajudar a identificá-la.
Quanto mais características forem registradas, mais fácil pode ser demonstrar qual era a aparência da mala entregue à companhia aérea.
Guarde a etiqueta e o comprovante
Depois que a bagagem for identificada no balcão de atendimento, fotografe o comprovante de despacho entregue pela companhia.
O documento contém informações importantes sobre a viagem e a identificação da bagagem. Por isso, não deve ser descartado logo após o check-in.
Manter esse comprovante até o fim da viagem cria mais uma evidência para relacionar o passageiro à bagagem que efetivamente foi despachada.
Deixe a mala fácil de reconhecer
Malas pretas ou totalmente lisas podem ser mais difíceis de diferenciar em meio a dezenas de outras bagagens.
Por isso, uma alternativa é utilizar capas, fitas, adesivos ou outros elementos visuais que tornem a mala facilmente reconhecível. Tags de identificação também podem ser usadas tanto na parte externa quanto dentro da bagagem.
A personalização não impede uma eventual fraude, mas pode facilitar a identificação da bagagem correta e ajudar o passageiro a perceber rapidamente qualquer alteração.
Um rastreador pode ajudar
Outra medida adotada por alguns viajantes é colocar um dispositivo de rastreamento dentro da mala, como AirTag ou SmartTag.
O equipamento permite acompanhar a localização aproximada da bagagem por meio de um celular compatível. A ferramenta não substitui os comprovantes de despacho nem garante a recuperação da mala, mas pode acrescentar uma informação importante sobre o trajeto da bagagem.
O que fazer se houver problema no destino?
Ao chegar ao aeroporto, o passageiro deve observar se a mala apresenta as mesmas características registradas antes do despacho e se as informações da etiqueta correspondem ao comprovante guardado.
Caso seja abordado por autoridades ou perceba alguma inconsistência, a recomendação é manter a calma e apresentar os registros feitos durante o check-in.
Fotos, vídeos, comprovante de despacho, registro do peso e informações de rastreamento podem ajudar a reconstruir o caminho da bagagem e demonstrar como ela estava antes de ser entregue à companhia aérea.
Em uma situação envolvendo suspeita de tráfico de drogas, também é importante buscar assistência jurídica imediatamente. A existência de registros prévios não impede uma investigação, mas pode fornecer elementos relevantes para esclarecer a origem e a responsabilidade pelo conteúdo encontrado.