Uma publicação do Jornal de Piracicaba sobre a votação de Erika Hilton (PSOL-SP) nas Eleições 2026 foi alvo de uma série de comentários de teor transfóbico nas redes sociais. As manifestações passaram a abordar principalmente a identidade de gênero da deputada, desviando o foco do resultado eleitoral apresentado na reportagem.
Reeleita para a Câmara dos Deputados, Erika Hilton recebeu cerca de 1,5 milhão de votos em São Paulo. O desempenho da parlamentar ganhou repercussão nacional e, após a publicação da matéria pelo JP, usuários utilizaram o espaço de comentários para fazer manifestações relacionadas ao fato de ela ser uma mulher trans.
Parte dos comentários questionou a identidade de gênero da deputada e fez referências à sua condição de pessoa trans. As manifestações foram registradas na publicação original do jornal.
Comentários mudaram o foco da publicação
A reportagem publicada pelo Jornal de Piracicaba tinha como objetivo informar sobre o desempenho eleitoral de Erika Hilton. Entretanto, a área de comentários passou a concentrar manifestações relacionadas à identidade de gênero da parlamentar.
Em vez de discutir a votação, a trajetória política ou o resultado das eleições, usuários direcionaram as mensagens para a condição de Erika Hilton como mulher trans.
O episódio chama atenção para a forma como conteúdos envolvendo pessoas trans continuam sendo recebidos nas redes sociais, especialmente quando envolvem figuras públicas e representantes políticos.

Comentários na publicação do JP
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Erika Hilton foi eleita pela primeira vez em 2022
Erika Hilton chegou à Câmara dos Deputados pela primeira vez nas eleições de 2022. Na ocasião, recebeu 256.902 votos no estado de São Paulo.
A eleição daquele ano também foi histórica para a representação de pessoas trans no Congresso Nacional. Erika Hilton e Duda Salabert (PSOL-MG) foram eleitas simultaneamente para a Câmara, tornando-se as primeiras mulheres trans a ocupar cadeiras na Casa.
Desde então, Hilton passou a ocupar espaço de destaque na política nacional e ampliou sua atuação no Legislativo.
Deputada também presidiu comissão da Câmara
Em março de 2026, Erika Hilton foi escolhida para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.
A parlamentar foi a primeira mulher trans a comandar o colegiado, em mais um episódio de destaque de sua trajetória política.
A atuação de Erika Hilton na Câmara e sua presença nas redes sociais fazem com que publicações relacionadas à deputada frequentemente gerem grande repercussão.
Jornal não reproduz comentários ofensivos
Diante das manifestações publicadas na reportagem, o Jornal de Piracicaba optou por não reproduzir integralmente os comentários considerados ofensivos.
A decisão busca evitar a amplificação de ataques e manifestações de teor transfóbico. Os comentários, entretanto, permanecem registrados na publicação original nas redes sociais.
O episódio também reforça o debate sobre os limites e a responsabilidade no uso das redes sociais, especialmente em espaços públicos de discussão sobre política e eleições.
A repercussão da publicação mostra ainda como a identidade de gênero de pessoas trans pode se tornar alvo de ataques em discussões que originalmente tratavam de outros assuntos, neste caso, o resultado eleitoral de uma deputada federal.