A vitória de Abelardo de la Espriella na Colômbia reforçou uma transformação política que vem ganhando força na América do Sul nos últimos meses. Com a posse marcada para 7 de agosto, o bloco de países governados por líderes de direita passará a reunir seis nações: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e Paraguai. O número ainda pode aumentar caso a direita confirme a vitória na disputa presidencial do Peru, cujo resultado segue indefinido.
Até setembro de 2025, o cenário era bastante diferente. Apenas Argentina, Paraguai e Equador eram comandados por governos de direita, enquanto a maior parte dos países sul-americanos estava sob administrações de esquerda ou centro-esquerda. As eleições realizadas a partir do fim do ano passado, porém, alteraram significativamente o equilíbrio político da região.
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Um continente em transformação
A mudança de direção política ficou mais evidente após uma série de vitórias eleitorais de candidatos identificados com a direita. Entre os principais resultados estão as eleições de Javier Milei na Argentina, Daniel Noboa no Equador, Rodrigo Paz na Bolívia e José Antonio Kast no Chile, ampliando a influência de forças conservadoras no continente.
Esse novo desenho político também reduziu o número de governos considerados próximos ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. Com a chegada de novos líderes ao poder, a correlação de forças na América do Sul passou a apresentar uma distribuição mais favorável aos partidos de direita e centro-direita.
O contraste com o cenário de 2015
A atual configuração representa uma inversão em relação ao panorama observado há pouco mais de uma década. No fim de 2015, oito dos 12 países sul-americanos eram governados por partidos de esquerda ou centro-esquerda, enquanto apenas quatro estavam sob comando de legendas de direita ou centro-direita.
O Peru permanece como a principal incógnita do momento. Apesar da realização do segundo turno em junho, a apuração ainda não foi oficialmente concluída. Com quase todas as urnas contabilizadas, Keiko Fujimori mantém vantagem apertada sobre Roberto Sánchez, candidato apoiado pela esquerda. O desfecho da disputa poderá consolidar ainda mais a expansão da direita no continente e redefinir novamente o mapa político sul-americano.