SEM RESULTADOS

Por que canetas emagrecedoras não funcionam em algumas pessoas?

Por Redação/JP1 |
| Tempo de leitura: 3 min
Imagem gerada por IA

O aumento da procura por medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro reacendeu o debate sobre as chamadas canetas emagrecedoras. Com a quebra da patente da semaglutida, cresceu a expectativa por versões mais acessíveis desses remédios usados no tratamento da obesidade. Porém, estudos recentes mostram que os resultados não são iguais para todos os pacientes.

Pesquisas internacionais indicam que até 1 em cada 10 pessoas pode apresentar baixa resposta ao tratamento, mesmo utilizando os medicamentos corretamente e sob acompanhamento médico.

Estudos mostram diferença nos resultados

Dados publicados em revistas científicas revelam que parte dos pacientes não consegue atingir a perda mínima de peso considerada ideal nos primeiros meses de tratamento.

No estudo STEP 1, envolvendo semaglutida, cerca de 14% dos participantes não perderam ao menos 5% do peso corporal. Já pesquisas com tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, registraram taxas de baixa resposta variando entre 9% e 15%, dependendo da dose utilizada.

Especialistas afirmam que essa diferença já era esperada no tratamento da obesidade.

Diabetes e genética podem influenciar

Segundo endocrinologistas, pacientes com diabetes tipo 2 costumam apresentar resultados mais limitados no emagrecimento devido à resistência à insulina e outros fatores metabólicos.

Além disso, estudos recentes apontam que fatores genéticos também podem influenciar diretamente na eficácia dos medicamentos. Pesquisadores identificaram variantes genéticas associadas tanto à maior perda de peso quanto ao aumento dos efeitos colaterais, como náuseas e vômitos.

A expectativa é que, no futuro, tratamentos sejam mais personalizados conforme o perfil biológico de cada paciente.

Dose e adaptação fazem diferença

Outro fator decisivo é o ajuste gradual das doses. Médicos explicam que o aumento progressivo é necessário para reduzir os efeitos adversos e melhorar a adaptação do organismo.

Em alguns casos, pacientes precisam diminuir temporariamente a dosagem por conta de reações intensas, o que pode atrasar os resultados esperados no emagrecimento.

Pesquisas mais recentes também mostram que doses mais elevadas da semaglutida podem gerar perdas de peso maiores, principalmente em pacientes sem diabetes.


VEJA MAIS:


  • Clique aqui e receba, gratuitamente, as principais notícias da cidade, no seu WhatsApp, em tempo real. 

Hábitos e saúde emocional impactam no tratamento

Especialistas alertam que o medicamento sozinho não garante emagrecimento significativo. Alimentação, qualidade do sono, estresse, consumo de álcool e saúde emocional continuam sendo fatores fundamentais para o sucesso do tratamento.

Médicos destacam ainda que algumas pessoas possuem maior tendência à alimentação emocional, o que dificulta a resposta às medicações voltadas ao controle do apetite.

Outro ponto de atenção envolve medicamentos que favorecem ganho de peso, como antidepressivos, corticoides, anticonvulsivantes e alguns anticoncepcionais.

SUS ainda discute inclusão dos medicamentos

No Brasil, a possibilidade de incluir semaglutida e outros medicamentos antiobesidade no SUS segue em debate. Em 2025, a proposta foi analisada pela Conitec, mas acabou rejeitada devido ao alto impacto financeiro e às dúvidas sobre o custo-benefício em larga escala.

Mesmo assim, projetos-piloto começaram a ser implementados em alguns estados para avaliar os impactos clínicos e econômicos do tratamento em pacientes com obesidade grave.

Enquanto isso, especialistas reforçam a importância do acompanhamento médico contínuo e alertam que interromper o uso por conta própria pode comprometer os resultados e aumentar riscos à saúde.

Comentários

Comentários