Redes e telas

Por Ana Pascoalete |
| Tempo de leitura: 3 min

Por Ana Carolina Carvalho Pascoalete

Você é uma das pessoas que não imagina o “mundo” sem redes sociais e já fez alguma reflexão sobre dependência às tecnologias? Pesquisas iniciadas por meio do experimento voluntário ocorrido em outubro de 2021, informam que milhões de pessoas no planeta sentiram–se frustradas quando as principais plataformas de redes sociais ficaram fora do ar por, aproximadamente, seis horas. A população sofreu e em casos mais extremos foram comparados à síndrome de abstinência, vivenciada por muitos indivíduos quando abandonam seus vícios.
Para o psicólogo Marc Masip, o celular é a heroína do século 21, e ele não julga essa comparação exagerada, pois tem analisado em suas pesquisas, a importância que a população direciona aos celulares conectados, indivíduos sentem–se enlouquecidos e perdidos quando não estão em posse de seus aparelhos, sensação idêntica aos vícios em geral. A diferença é que o vício em celular tem vantagens, apontando que se bem utilizado, a população vê com bons olhos. Cada vez mais, indivíduos com a falta da tecnologia descrevem o sentimento de mal-estar, síndrome de abstinência, sem a consciência de todos os danos que podem causar.
Todos os vícios vinculados a qualquer substância e hábitos quando iniciados, têm seu desfecho desconhecido, mas depois de um tempo quando descobre-se o mal que pode causar e que muitas pessoas tornam–se vítimas e perdem suas vidas, passam a ser considerados como algo nocivo à saúde humana. Vamos pensar que o celular pode ser nocivo quando considerado um vício, pois estatisticamente quantas pessoas morreram por não conseguir conter o uso do celular enquanto estavam dirigindo, mesmo sendo considerada uma ação proibida.
Vivemos um momento de identificar consequências no desempenho acadêmico dos jovens, acidentes de trânsito, crises de ansiedade, estresse, frustração, transtornos alimentares desencadeados pelo Instagram. Os jovens, atualmente, se comunicam por das telas de forma fácil e rápida, mas a cada dia descrevem maior dificuldade de relacionar-se presencialmente com os demais indivíduos, não desenvolvendo a capacidade de sentir empatia, fazer acolhimento, estarem presentes o suficiente para a troca de um abraço.
A dependência faz com que o humor dos indivíduos passem por alternância, mudando para pior todas as vezes que precisam ficar sem uma maneira de se relacionar virtualmente. Passando a ser considerado uma dependência, problema causado quando o individuo perde a liberdade. A cada dia mais pessoas procuram por ajuda por meio de psicoterapia em busca de reeducação sobre o uso das redes e das telas, e esse é um tratamento muito complicado que nós, psicólogos, temos deparamos em nossos consultórios, pois se pensarmos no pressuposto de um vício identificado com inadequado pela sociedade como: fumar, usar drogas, lembramos que faz mal. Agora, com as tecnologias, fica mais difícil porque não se trata de simplesmente deixar de usá-las, e o que é necessário fazer é sugerir a redução para que possam ser melhor utilizadas, tornando–se uma tarefa desafiadora, quando todas ou a maior parte das pessoas ao redor também estão utilizando as redes e telas.
Para estabelecer o tratamento é importantíssimo que o paciente supere essa fase de conscientização, reconhecendo até que ponto é saudável usar a tecnologia. E quando se trata de crianças e adolescentes, os pais em geral beneficiam os filhos presenteando-os muito cedo acreditando que se não tiverem celulares os filhos não terão amigos, e amigos na fase de desenvolvimento está vinculado ao ambiente familiar e escolar. A consciência dos adultos é a melhor estratégia para proteger as crianças e adolescentes para que não precisem tanto das telas, realizando o uso das redes e celulares de maneira correta e ponderada, evitando desfechos desagradáveis em momentos posteriores.

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