Violência e abuso em crianças e adolescentes

Por Ana Pascoalete |
| Tempo de leitura: 2 min

Esse período de pandemia promoveu o aumento de risco à vida de muitas crianças e adolescentes em todo o mundo. Vítimas silenciosas de abuso sexual que, vivendo em seus lares confinadas estão suscetíveis ao maior perigo com seus abusadores, sem que as autoridades possam ser alertadas.

Infelizmente, a pandemia escancarou essa triste realidade: a subnotificação de registros de violência contra a criança, adolescente e mulheres em algum lar, a cada momento e no lugar que deveria ser considerado o aconchego familiar.

Os esforços para contenção do contágio da covid-19, com o fechamento de escolas e restrição de movimento nas ruas, trabalho em home office, estão atravessando as rotinas das crianças, adolescentes, mulheres e os sistemas de apoio. Também estão aflorando novas possibilidades de estresse aos cuidadores, que em muitos casos, quando ainda empregados, precisam promover essa renúncia.

O estigma relacionado ao coronavírus deixou algumas crianças e adolescentes mais vulneráveis à violência e sofrimento psicossocial, ao mesmo tempo que medidas de controle não correspondem às necessidades e vulnerabilidades específicas de gênero de mulheres e meninas, também podendo aumentar o risco de exploração sexual, abuso e casamento infantil.

Pesquisas no Brasil apontam para o aumento significativo nos casos de violência doméstica contra às mulheres. Ainda vivemos a triste realidade de que a maioria dos crimes de abuso sexual não chega ao conhecimento das autoridades, piorando esse quadro atualmente. Tragicamente tornando um pesadelo essas experiências para a população mais vulnerável.

Esse tipo de violência de extrema gravidade atinge milhares de crianças e adolescentes no Brasil, que estão sujeitos aos indivíduos audaciosos e sem limites, que buscam saciar seus desejos mais primitivos. Aumento crescente de abuso e exploração de crianças durante emergência de saúde pública.

É necessário que o governo e as autoridades de proteção tomem medidas concretas para garantir que a proteção de crianças e adolescentes façam parte integrante de todas as medidas de prevenção e controle da covid-19. A violência sexual contra crianças e adolescentes é uma séria questão social, configurando-se também num grave problema de saúde pública.

É um fenômeno complexo e controverso, na maioria das vezes perpetrada por indivíduos que se utilizam de maneira irresponsável de seu papel de cuidadores. A criança e adolescente do sexo feminino se mostra como vítima preferencial desses agressores encontrando–se inserida numa estrutura na qual sofre relações de poder expressa. Por um lado, pela capacidade física, psíquica e social do perpetrador e, por outro, pela imaturidade e submissão a autoridade paterna e dos mais velhos.

Os maus tratos promovem em suas vítimas consequências negativas ao longo do todo seu desenvolvimento emocional e social, podendo deixar traumas irreparáveis, estimulando o surgimento do estresse pós-traumático, ansiedades e muitos outros atravessamentos com quadros que comprometem a saúde psíquica do individuo e, ainda, poderá demarcar todas as demais escolhas no decorrer da sua vida.

Denunciar é o primeiro e mais importante passo para salvar a vida de uma criança, adolescente, poupando do domínio do abusador, pois a inocência faz parte da infância e as crianças merecem que esse direito seja preservado.

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