01 de outubro de 2026
MANIFESTAÇÃO

Ato em Taubaté pede justiça por Bruno, morto a tiros aos 23 anos

Por Da redação | Taubaté
| Tempo de leitura: 5 min
Reprodução
Ato pedirá justiça para o estudante de Medicina Bruno Hashimura

Estudantes, médicos, familiares e amigos de Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos, realizam nesta quinta-feira (1º), às 18h, um ato em frente ao Bom Conselho, em Taubaté, para pedir justiça pela morte do estudante de Medicina. A mobilização ocorre um dia após Bruno ser morto a tiros durante uma discussão de trânsito na cidade.

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A manifestação foi organizada a partir da mobilização de colegas da Faculdade de Medicina de Taubaté e do grupo Mães Médicas de Taubaté. A proposta é prestar homenagem a Bruno, cobrar o esclarecimento do caso e pedir responsabilização pelo crime.

“Hoje, dia 01/10, faremos um ato em frente ao Bom Conselho clamando por justiça. Justiça pela vida de Bruno”, afirma um comunicado divulgado pelos estudantes.

Segundo os organizadores, a intenção é reunir a comunidade acadêmica e moradores que ficaram indignados com a morte do jovem. “Não podemos nos conformar com tamanha violência e com o criminoso solto enquanto uma família e amigos choram pela perda de um ente querido”, diz o texto.

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Médicas se mobilizam por justiça

A médica Fabiana Freitas, mãe de um estudante de Medicina, conta que seu filho conhecia Bruno e chegou a jogar futebol com ele. Segundo ela, o jovem era visto como uma pessoa pacífica, educada e de boa convivência.

“Provocou uma comoção imensa. Tem um grupo de mães médicas, com mais de 400 pessoas, com muita indignação pelo caso”, afirmou.

"Atirou numa pessoa sem arma que estava indo para a faculdade fazer uma prova. E agora o Bruno não pode se defender. O ato é um grande movimento para defender Bruno e para pedir que se faça justiça, e que o responsável pague pelo que aconteceu. Houve uma revolta grande quando souberam que ele vai responder em liberdade", disse a médica.

Fabiana participou da missa realizada em homenagem a Bruno e da vigília promovida por estudantes após a morte, na noite de quarta-feira (30). Para ela, a mobilização desta quinta-feira representa uma forma de demonstrar solidariedade à família e cobrar justiça.

"Estamos inconformados, machucados e tristes pela perda do Bruno, e vamos pedir justiça para ele. Nada pode trazê-lo de volta, mas podemos pedir por justiça", afirmou.

A médica Anna Paula Carelli, formada pela Faculdade de Medicina de Taubaté em 1998 e moradora da cidade, também destacou o impacto da morte.

“Ter um filho morto tão brutalmente e por banalidade é estarrecedor. Segundo, como ex-aluna, lembro dos sonhos e perspectivas de um futuro próspero. E, terceiro, como cidadã, pagadora de impostos que tem que conviver com a violência dia e noite”, afirmou.

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Grupo ‘Médicos por Bruno’ é criado

A médica Andressa Lucci afirmou que a mobilização surgiu entre integrantes do grupo Mães Médicas de Taubaté, que existe há oito anos. A partir da comoção provocada pela morte, foi criado o grupo “Médicos por Bruno”, reunindo profissionais e estudantes de Medicina.

Segundo Andressa, a manifestação nasceu da iniciativa dos próprios colegas de Bruno. “A ideia é mostrar que a comunidade médica não vai esquecer facilmente do que aconteceu. Os colegas do Bruno e a família querem respostas, e com as respostas que seja feita a justiça”, afirmou.

Ela disse ainda que o ato desta quinta-feira deve ser o primeiro de uma série de mobilizações em memória do estudante.

Também foi criado o perfil @justicaporbrunohsanjuliano, nas redes sociais, para divulgar informações e manifestações relacionadas ao caso.

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Morte aconteceu no trânsito

Bruno foi morto na quarta-feira (30), na Avenida do Povo, em Taubaté. Segundo o boletim de ocorrência, ele dirigia um Chevrolet Prisma prata quando se envolveu em uma discussão de trânsito com o condutor de um Jeep Renegade preto, identificado como o bombeiro militar Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, de 28 anos.

O estudante foi atingido por disparos de arma de fogo e morreu. O caso é investigado pela Polícia Civil.

A defesa do bombeiro sustenta que ele teria atirado após acreditar que Bruno estava armado com uma faca. A versão apresentada é investigada pelas autoridades e deverá ser confrontada com depoimentos, perícias e demais elementos reunidos durante a investigação.

Marcos Paulo foi preso e depois solto pela Justiça em audiência de custódia na manhã desta quinta-feira, em São José dos Campos. Ele terá que cumprir série de medidas cautelares, incluindo não se aproximar de familiares de Bruno.

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Bruno sonhava em ser médico

Bruno cursava o quarto semestre de Medicina na Unitau (Universidade de Taubaté). Antes de estudar na instituição, havia iniciado a graduação na Argentina e também estudado em uma universidade no Pará.

Aos 23 anos, completados em setembro, Bruno era casado e tinha um filho de 2 anos. Familiares e amigos o descreveram como alegre, otimista, dedicado aos estudos e apaixonado pela família.

A despedida reuniu familiares, amigos, professores e colegas da faculdade. A Unitau suspendeu as atividades do curso de Medicina e ofereceu acolhimento e atendimento psicológico a estudantes e professores após a morte.

O sepultamento ocorreu na tarde desta quinta-feira (1º), no Cemitério Memorial do Vale, em Jacareí.

Ato será em Taubaté

O ato em memória de Bruno está marcado para as 18h desta quinta-feira (1º), em frente ao Bom Conselho, em Taubaté. Os organizadores convocam estudantes, profissionais da área da saúde e moradores para participar da manifestação.

A mobilização terá como principal reivindicação o pedido de justiça pela morte do estudante e a responsabilização pelo crime. Também deverá ocorrer um ato na sexta (2), ainda sem definição de horário.

A investigação continua sob responsabilidade da Polícia Civil.