06 de julho de 2026
TAUBATÉ#400

Formação de Taubaté causou expulsão, fuga e morte de indígenas

Por Xandu Alves | Taubaté
| Tempo de leitura: 4 min
Imagem gerada por IA
Região de Taubaté era ocupada por indígenas

Muito antes da fundação de Taubaté, o Vale do Paraíba já era ocupado por povos indígenas. Eles viviam na região quando os primeiros colonizadores chegaram, mas, ao longo da ocupação portuguesa, grande parte dessa população foi morta, expulsa de seus territórios ou incorporada à sociedade colonial por meio da miscigenação e da aculturação.

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As conclusões fazem parte da pesquisa desenvolvida pelos historiadores e pesquisadores Pedro Rubim e Angelo Rubim, do Almanaque Urupês, que estudam documentos dos séculos 17 e 18 para reconstruir a história da formação de Taubaté.

Segundo os pesquisadores, apesar da violência sofrida durante o período colonial, os indígenas nunca desapareceram completamente da região. Ainda hoje existem comunidades indígenas espalhadas pelo Vale do Paraíba, embora muitas delas sejam urbanas e ainda pouco mapeadas.

"A maior parte foi empurrada para fora, morreu ou precisou fugir. Houve também uma forte miscigenação, que ajudou a formar a população da região", explica Pedro Rubim.

Os pesquisadores destacam que comunidades do povo Puri ainda vivem na Serra da Mantiqueira, especialmente no lado fluminense do Vale do Paraíba, além de existirem grupos organizados no litoral. Já em Taubaté e em outras cidades do Vale paulista, a presença indígena permanece, mas ainda carece de levantamentos mais precisos.

Essa reportagem integra o projeto especial Taubaté#400, desenvolvido por OVALE, com apoio institucional da Prefeitura de Taubaté, Unitau (Universidade de Taubaté) e Creci (Conselho Regional de Corretores de Imóveis). Veja a apresentação do projeto nesse link.

Documento registra antiga aldeia indígena

Entre os documentos históricos analisados, um dos mais importantes faz referência à existência de um antigo aldeamento indígena na região onde hoje está Taubaté.

O registro trata da venda de uma sesmaria pertencente a Manuel da Costa Cabral, considerado fundador de Tremembé, e menciona um local chamado Tapera do Gentio.

De acordo com os historiadores, "tapera" indica um lugar anteriormente ocupado e posteriormente abandonado, enquanto "gentio" era o termo utilizado pelos colonizadores para designar os indígenas.

Para Angelo Rubim, trata-se da evidência documental mais consistente já publicada sobre a existência de um antigo aldeamento indígena na região da antiga Vila de Taubaté.

"É a referência mais explícita que conhecemos até hoje sobre um território indígena na documentação preservada da época", afirma.

Os pesquisadores explicam que, quando esse documento foi produzido, a resistência indígena já havia sido praticamente eliminada na área ocupada pelos colonizadores.

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Milhares de indígenas foram capturados

Os estudos também revelam a dimensão da exploração indígena durante os primeiros anos da colonização.

Com base em pesquisa da historiadora Kátia Rico, que analisou inventários e testamentos entre o início da fundação da vila e as décadas de 1660 e 1670, estima-se que entre 5 mil e 6 mil indígenas estavam sob domínio dos colonizadores na região.

Na época, eles apareciam nos documentos como "tutelados", já que a legislação restringia o uso da palavra "escravo" para indígenas, embora, na prática, fossem submetidos ao trabalho forçado.

Segundo os pesquisadores, essa mão de obra foi essencial para os primeiros ciclos econômicos da região, antes da chegada em maior escala dos africanos escravizados.

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Ouro impulsionou o crescimento de Taubaté

A pesquisa também mostra que Taubaté nasceu como um ponto estratégico da Coroa Portuguesa na busca por riquezas minerais.

Os colonizadores acreditavam que existiam jazidas de ouro no interior do território e a vila foi criada para servir de base às expedições que seguiam rumo aos sertões das futuras Minas Gerais.

Após quase dois séculos de buscas, a descoberta de ouro acabou sendo comunicada por bandeirantes ligados a Taubaté. A notícia elevou a importância política da vila e levou à instalação da primeira casa de cunhagem de ouro da região.

Para os historiadores, a busca pelo ouro explica boa parte da ocupação do Vale do Paraíba e ajuda a entender o processo de expulsão dos povos indígenas, que abriram espaço, à força, para a expansão colonial.

Ao mesmo tempo, eles ressaltam que a herança indígena permanece viva na formação da população regional, resultado da intensa miscigenação ocorrida desde os primeiros anos da colonização.