CRIME EM TAUBATÉ

Família de Bruno teme fuga de bombeiro e cobra Justiça na RMVale

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 5 min
Reprodução
Bombeiro (à esq.) matou Bruno (à dir.) a tiros em Taubaté
Bombeiro (à esq.) matou Bruno (à dir.) a tiros em Taubaté

A família do estudante de medicina Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos, cobra Justiça pela morte do jovem e teme que o bombeiro militar Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, de 28 anos, deixe de ser localizado antes do cumprimento da prisão preventiva decretada pela Justiça.

O militar matou Bruno a tiros durante uma discussão de trânsito em Taubaté.

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A prisão preventiva de Marcos foi determinada após recurso do Ministério Público contra a liberdade provisória concedida na audiência de custódia. Apesar da nova decisão, o mandado ainda não pode ser cumprido neste momento por causa da restrição prevista no Código Eleitoral para o período que antecede e sucede a votação.

Bruno foi morto na manhã de 30 de setembro, na Avenida Professor Walter Thaumaturgo, conhecida como Avenida do Povo, em Taubaté. O estudante foi baleado durante uma discussão de trânsito, chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.

Marcos Paulo foi preso em flagrante após o episódio e é investigado por homicídio doloso. Na audiência de custódia, ele recebeu liberdade provisória, com medidas cautelares que incluíam comparecimento periódico à Justiça, recolhimento domiciliar durante a noite e nos fins de semana e proibição de deixar a comarca.

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Prisão preventiva

O Ministério Público recorreu da decisão que colocou o bombeiro em liberdade. O promotor de Justiça Brenno Arruda Sobreira de Siqueira Figueiredo argumentou que as medidas cautelares impostas na audiência de custódia não eram suficientes diante das circunstâncias do caso.

A Justiça posteriormente decretou a prisão preventiva de Marcos e expediu o mandado de prisão.

O cumprimento da ordem, porém, precisa observar as regras do Código Eleitoral.

Pelo artigo 236, eleitores não podem ser presos ou detidos nos cinco dias anteriores à eleição e nas 48 horas seguintes ao encerramento da votação, salvo nas exceções previstas em lei.

Como o primeiro turno das eleições ocorre neste domingo (4), a restrição começou na terça-feira (29) e termina na terça-feira (6). Assim, caso não exista uma das hipóteses legais de exceção, o mandado contra o bombeiro poderá ser cumprido somente após esse período.

Morte de Bruno

Bruno cursava medicina e foi morto aos 23 anos após a discussão de trânsito na Avenida do Povo.

O caso é investigado pela Polícia Civil como homicídio. A arma relacionada à ocorrência foi apreendida, e a Polícia Técnico-Científica realizou perícia no local.

A defesa de Marcos sustenta que o bombeiro teria interpretado a situação como uma tentativa de assalto e agido em legítima defesa.

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Registros anteriores

Marcos Paulo já havia sido citado em ocorrências relacionadas a conflitos no trânsito. Um dos registros ocorreu em 2021, quando uma discussão teria começado depois que um motorista permaneceu parado por alguns instantes após a abertura do semáforo. Conforme o registro, o bombeiro teria mostrado uma arma ao outro motorista.

O caso foi arquivado e não resultou em responsabilização criminal.

Outro registro, de 2019, envolveu uma discussão depois que Marcos teria parado um veículo diante da garagem de uma moradora, impedindo a saída.

Os dois episódios foram arquivados e não resultaram em denúncia do Ministério Público ou processo criminal contra Marcos. Por isso, não podem ser apresentados como condenações ou como prova de que ele tenha cometido os fatos relatados.

A defesa também contesta a versão divulgada sobre o episódio de 2021. Segundo o advogado Claudio Rodrigues Moreira, Marcos afirma que houve apenas uma discussão de trânsito e que sequer teria descido do veículo.

Relatos de mulheres

Além dos registros policiais, mulheres procuraram OVALE para relatar supostas ameaças e agressões que atribuem ao bombeiro.

Uma autônoma de Taubaté afirmou ao jornal que teria sido ameaçada duas vezes em agosto, na mesma região onde Bruno foi baleado. Segundo o relato, ela estava em uma moto elétrica com a filha de 11 anos quando teria sido fechada por um carro.

A mulher afirmou que, após os veículos pararem em um semáforo, o motorista teria apontado uma arma em sua direção e feito ameaças.

Ela contou ainda que encontrou novamente o mesmo motorista depois de deixar a filha na escola e que, segundo seu relato, ele voltou a apontar uma arma.

Outras três mulheres também procuraram a reportagem e relataram experiências que atribuem a Marcos Paulo, incluindo supostas agressões e ameaças.

Os relatos foram apresentados pelas próprias mulheres e não são tratados pela reportagem como condenações ou como comprovação judicial dos fatos narrados.

Defesa pede cautela

A defesa de Marcos Paulo afirma que as ocorrências anteriores foram arquivadas e não resultaram em denúncia do Ministério Público ou ação penal.

Em relação ao episódio de 2021, o advogado afirma que a versão apresentada atualmente não corresponde, segundo o cliente, ao que aconteceu.

A defesa sustenta que fatos pretéritos devem ser tratados dentro de seu contexto jurídico e não apresentados como condenações ou antecedentes criminais decorrentes de processos judiciais.

Bombeiro está afastado

O Comando do 11º Grupamento de Bombeiros informou, após a morte de Bruno, que Marcos Paulo não exercia funções na região do Vale do Paraíba e estava em licença sem vencimentos.

Segundo a corporação, o militar está afastado desde 13 de maio de 2026, quando foi publicada no Diário Oficial do Estado a licença sem vencimentos solicitada por ele para tratar de interesse particular.

O Corpo de Bombeiros também afirmou que condutas contrárias à preservação da vida, à legalidade e ao respeito à população são incompatíveis com os valores institucionais.

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