ALUNO DE MEDICINA

Taubaté: Bombeiro que matou Bruno teve 2 ocorrências de trânsito

Por Jesse Nascimento | Taubaté
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
O bombeiro Marcos Paulo (sem camisa, à esq.) e o estudante Bruno (à dir.)
O bombeiro Marcos Paulo (sem camisa, à esq.) e o estudante Bruno (à dir.)

O bombeiro Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, de 28 anos, investigado pela morte do estudante de medicina Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos, em Taubaté, já havia sido citado em duas ocorrências relacionadas a desentendimentos no trânsito, em 2019 e 2021.

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Os dois registros, segundo informações obtidas pela reportagem, foram arquivados e não resultaram em responsabilização criminal. Um deles envolveu uma discussão após um veículo parar diante de uma garagem. No outro, ocorrido em um semáforo, houve relato de que Marcos teria exibido uma arma durante o desentendimento.

OVALE mostrou nesta quinta-feira o relato de uma mulher que alega ter sido ameaçada pelo bombeiro semanas antes da morte de Bruno, no mesmo local. “Quer morrer?”, teria dito o bombeiro (ouça o relato).

O caso de Bruno ocorreu na manhã de quarta-feira (30), na Avenida Professor Walter Thaumaturgo, conhecida como Avenida do Povo. O estudante foi baleado durante uma discussão de trânsito e morreu após ser socorrido. O caso é investigado como homicídio.

Os registros anteriores têm circunstâncias próprias e, por terem sido arquivados, não podem ser tratados como prova de eventual conduta no caso atual. A investigação da morte de Bruno deverá considerar as provas, depoimentos e demais elementos produzidos especificamente sobre o episódio ocorrido em Taubaté.

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Discussão em 2021 também começou no trânsito

Em 2021, Marcos apareceu em uma ocorrência após uma discussão com outro motorista em um semáforo.

Segundo informações da TV Band Vale, o motorista que estava à frente teria permanecido parado por alguns instantes depois que o sinal abriu. A demora teria provocado a irritação de Marcos e dado início ao desentendimento.

Durante a discussão, conforme o relato da ocorrência, o bombeiro teria mostrado uma arma ao outro motorista.

O caso não avançou para responsabilização criminal e acabou arquivado.

A coincidência com o episódio que terminou na morte de Bruno está no fato de os dois conflitos terem começado em situações de trânsito. As circunstâncias e a dinâmica de cada ocorrência, porém, são diferentes.

Ocorrência de 2019 começou diante de garagem

Outro registro envolvendo Marcos ocorreu em 2019 e também teve origem em uma situação relacionada ao trânsito.

De acordo com informações divulgadas pela TV Band Vale, o bombeiro teria parado um veículo diante de uma garagem, impedindo a saída de uma moradora. A situação teria provocado uma discussão entre os dois.

Assim como no episódio de 2021, o registro não resultou em responsabilização criminal e foi arquivado.

Corpo de Bombeiros se manifesta sobre morte

Também nesta quinta-feira, o Comando do 11º Grupamento de Bombeiros divulgou nota sobre a morte de Bruno e manifestou pesar à família e aos amigos do estudante.

“Expressamos nossas condolências e solidariedade aos familiares e amigos da vítima. Reconhecemos a gravidade do ocorrido e a comoção causada pela perda de uma vida.”

O comando também esclareceu a situação funcional de Marcos Paulo Fujarra de Oliveira. Segundo a corporação, o bombeiro não exercia funções na região do Vale do Paraíba e está em licença sem vencimentos há algum tempo.

“O bombeiro militar envolvido não exercia suas funções na região do Vale do Paraíba e encontra-se em licença sem vencimentos há algum tempo.”

Corporação cita preservação da vida e legalidade

Na nota, o Corpo de Bombeiros reafirmou os princípios institucionais da corporação e destacou que condutas contrárias à preservação da vida, à legalidade e ao respeito à população são incompatíveis com seus valores.

“O Corpo de Bombeiros reafirma seu compromisso com a preservação da vida, a legalidade e o respeito à população. Condutas contrárias a esses princípios são incompatíveis com os valores da instituição.”

O comando afirmou ainda esperar que as autoridades responsáveis adotem as providências necessárias para esclarecer o caso e definir eventual responsabilização, respeitando o devido processo legal.

A investigação sobre a morte de Bruno Hashimura segue em Taubaté. A Polícia Técnico-Científica realizou perícia no local, e a arma relacionada ao caso foi apreendida.

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