A fé católica e os debates políticos voltaram a dominar as conversas nas redes sociais nesta semana. Nossa Senhora Aparecida alcançou o topo dos trending topics (assuntos mais comentados) da rede social X (antigo Twitter) no Brasil.
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Em levantamento na tarde desta sexta-feira (25), quatro dos dez termos mais populares na plataforma estavam diretamente ligados à Padroeira do Brasil, incluindo expressões como "NINGUÉM TOCA NA PADROEIRA" e "PROTEJAM A MÃE DO BRASIL".
A forte mobilização digital reflete a repercussão de um episódio que misturou desinformação, religião e o cenário eleitoral. A controvérsia ganhou força após a circulação de um boato que associava o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) a uma suposta articulação para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título oficial de Padroeira do Brasil.
O boato ganhou tração depois que uma menção incorreta foi feita durante a exibição do programa "Em Pauta", da GloboNews. Na ocasião, reportou-se uma eventual pressão de grupos evangélicos relacionada ao tema.
Mais tarde, o próprio canal retratou-se publicamente e pediu desculpas pelo erro, esclarecendo que o projeto citado tratava-se, na verdade, de uma proposta apresentada em 2007 pelo ex-deputado Professor Victório Galli — matéria arquivada definitivamente pela Câmara dos Deputados ainda em 2008.
Diante do barulho provocado nas redes, Flávio Bolsonaro veio a público por meio de um vídeo para negar qualquer intenção de alterar o status da santa e classificou a história como fake news. O candidato ressaltou seu respeito a todas as manifestações religiosas e recordou que a polêmica resgatou declarações anteriores sobre sua fé, gravadas originalmente em agosto.
Lula e a CNBB
O debate sobre religião na política também envolveu outros atores do cenário nacional. Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou mal-estar entre lideranças católicas ao falar sobre o celibato dos padres católicos para comentar o crescimento das igrejas evangélicas em comparação à Igreja Católica.
O presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), cardeal Jaime Spengler, lamentou a fala, apontando uma comparação inadequada. Em meio às tensões, a CNBB reforçou que não apoia candidatos nem partidos, defendendo a convivência democrática e o respeito mútuo.
Com a proximidade do dia 12 de outubro, data em que se celebra o dia da Padroeira, a atenção do eleitorado volta-se ainda mais para o Santuário Nacional de Aparecida, no Vale do Paraíba.
local, que atrai milhões de fiéis todos os anos, consolida-se como um dos principais símbolos religiosos e culturais do país, no centro de um debate que mobiliza o Brasil dentro e fora da internet.