Preso sob acusação de matar a esposa, a soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, 54 anos, do Vale do Paraíba, afirmou em depoimento à Corregedoria da PM que enfrenta uma rotina de submissão dentro do Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo.
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Segundo o oficial da reserva, ele lava banheiros, louças e corredores, faz faxina, busca refeições e precisa pedir permissão a um soldado para entrar em uma cela.
“Eu sou um escravo”, declarou Geraldo durante o interrogatório. Em outro momento da oitiva, afirmou: “Só Deus sabe que eu tô sofrendo aqui dentro”.
O depoimento foi prestado no âmbito de um IPM (Inquérito Policial Militar) que apura a morte de Gisele. Geraldo foi ouvido como indiciado e estava acompanhado de advogado.
Rotina no presídio
Durante a oitiva, o tenente-coronel relatou que a rotina no presídio representa uma inversão da hierarquia que marcou sua carreira na corporação. De acordo com ele, a maioria dos internos é formada por cabos e soldados, enquanto os oficiais seriam minoria.
“Eu entro na cela, eu peço permissão para o mais antigo da cela, que é um soldado”, afirmou.
Geraldo também disse que, dentro da unidade, existem regras estabelecidas pelos próprios presos, além das normas oficiais do presídio. Segundo o relato, suas atividades incluem lavar banheiros, louças e corredores, fazer limpeza em geral e buscar café, almoço e jantar.
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Cobrado por policiais
Outro ponto mencionado pelo tenente-coronel foi a presença, no presídio, de policiais que teriam sido subordinados ou fiscalizados por ele durante sua trajetória profissional. Geraldo exerceu funções de comando nas zonas leste e oeste da capital paulista, além de unidades no Vale do Paraíba.
Segundo o oficial, alguns desses policiais o encontram atualmente no presídio e fazem cobranças.
“Esses policiais me encontram [no presídio] e me cobram”, disse.
Geraldo citou ainda um episódio ocorrido em janeiro de 2025, quando, segundo sua versão, chegou a dar voz de prisão a um tenente e a um pelotão inteiro por insubordinação. Ele afirmou que há no Romão Gomes policiais de unidades que estiveram sob sua fiscalização.
No raio em que está preso, o tenente-coronel afirmou haver 17 policiais. Conforme seu relato, o mais antigo do grupo é um soldado com menos de cinco anos de corporação, que exerce a função de chefia entre os internos daquele espaço.
“Quem é oficial e está aqui, comandante [interlocutor], apenas devia contar, para cada dia cumprido, tinha que contar três. Porque só Deus sabe o quanto é difícil estar aqui dentro, como oficial”, afirmou.
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Mensagens íntimas
As condições relatadas por Geraldo surgiram durante uma reclamação sobre a repercussão de mensagens íntimas que ele trocou com Gisele. Segundo o tenente-coronel, uma dessas mensagens teria se tornado motivo de chacota entre os presos do Romão Gomes.
Ao falar sobre sua condição dentro da unidade, Geraldo afirmou que, entre os internos, deixou de ser identificado apenas como o homem acusado pela imprensa de matar a esposa e passou a ser reconhecido pela patente e pela acusação que enfrenta.
“Aqui, eu não sou o Geraldo que a imprensa acusa de matar a Gisele. Aqui, dentro dos internos, eu sou o tenente-coronel que assassinou uma soldado”, declarou.
As afirmações sobre intimidação, cobranças e tratamento dentro do presídio são versões apresentadas por Geraldo Neto durante o interrogatório. O IPM, conforme as informações apresentadas, não confirma represálias contra o oficial.
Interrogatório é novamente adiado
O tenente-coronel deveria ser interrogado pela Justiça comum nesta terça-feira (8), mas a audiência foi adiada pela terceira vez.
Em decisão assinada na sexta-feira (4), a juíza Michelle Porto de Medeiros Cunha Carreiro remarcou o interrogatório para 5 de outubro, às 13h.
O novo adiamento ocorreu depois que a defesa pediu a realização de diligências complementares antes da oitiva. A magistrada determinou que a perita Amanda Rodrigues Marinone esclareça quem realizou uma gravação mencionada durante uma audiência.
A juíza também requisitou ao Instituto de Criminalística uma nova complementação dos quesitos apresentados pela defesa, considerada pela magistrada como “nova (e derradeira) complementação”. O prazo estabelecido para a medida é de 20 dias.
Geraldo Leite Rosa Neto responde à acusação de matar a esposa, a soldado Gisele Alves Santana. O caso segue em tramitação na Justiça.
* Com informações do portal Metrópoles