A Vara do Júri e de Execuções Criminais de São José dos Campos condenou a até 26 anos de prisão membros da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) envolvidos com o ‘tribunal do crime’ na cidade. Eles foram julgados e condenados nessa quinta-feira (16).
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Dos seis homens identificados pela Polícia Civil e presos preventivamente após decisão da Justiça, quatro foram condenados pelo crime. Um quinto suspeito teve o caso desmembrado dos demais e o sexto teve a prisão preventiva revogada.
Os quatro foram condenados pelo envolvimento na morte de Douglas Henrique Ferreira da Silva, 25 anos. O corpo dele foi encontrado crivado de balas na Estrada do Capuava, na região sul de São José dos Campos, em 1º de setembro de 2022. A vítima foi atingida por oito disparos de arma de fogo, alguns deles na cabeça.
Segundo a investigação, Douglas foi alvo da aplicação do ‘tabuleiro do crime’ em São José. Trata-se de expediente do PCC no qual membros apuram, julgam e aplicam a pena a outras pessoas, incluindo a pena de morte. A medida também é chamada de ‘tabuleiro’.
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Tribunal do Crime
Segundo as investigações, Douglas era suspeito de crime sexual e foi arrebatado em seu trabalho por membros do PCC, que lhe impuseram o ‘tabuleiro’. Ou seja, ele foi julgado pelo ‘tribunal do crime’ da organização criminosa.
O ‘tabuleiro’ é uma criação do PCC que instituiu um modelo paralelo de Justiça para punir o que considera “desvio de conduta” ou violação ao seu estatuto por membros da facção criminosa.
Aos policiais civis de São José, uma testemunha confirmou que Douglas estava no ‘tabuleiro’ do PCC. Ele instalava cabos de internet quando foi arrebatado pela facção. A vítima foi encontrada morta com o uniforme de trabalho, o mesmo que aparece em foto de Douglas tirada momentos antes da execução.
Uma testemunha reconheceu o veículo utilizado para arrebatar a vítima. O carro foi localizado pela polícia. Em outra foto obtida pelos investigadores, Douglas aparece sentado no banco traseiro do veículo juntamente com um dos seus algozes.
Também foi encontrada substância semelhante a sangue na parte de trás do veículo. A polícia ainda localizou outro veículo usado para acompanhar e apoiar o carro em que a vítima havia sido arrebatada.
Condenados
No total, a polícia identificou seis pessoas envolvidas com a morte de Douglas. Todos eles tiveram a prisão preventiva decretada, e quatro foram condenados pelo crime.
Samuel Tomaz do Nascimento, vulgo “Playboy”, foi condenado a 20 anos de reclusão por homicídio qualificado e a 3 anos e 4 meses de reclusão por sequestro e cárcere privado. A pena deverá ser cumprida em regime fechado.
Os réus Ari Francisco de Lima, vulgo “Pé na porta” ou “Poucas ideia”, e Wendell Fernandes dos Santos, conhecido como “Oreia”, foram condenados a 23 anos e 4 meses de reclusão por homicídio qualificado e a 3 anos, 10 meses e 20 dias de reclusão por sequestro e cárcere privado. A pena também deverá ser cumprida em regime fechado.
Vulgo “Dexter ou Dx”, Cleandro Ferreira de Sousa foi condenado por sequestro e cárcere privado a 3 anos e 4 meses de reclusão, em regime fechado, e por lesão corporal a 7 meses e 15 dias de detenção.
Cauan Nascimento teve o processo desmembrado dos demais e André Luiz teve a impronúncia e revogação de sua prisão preventiva. Todos os demais tiveram a prisão preventiva mantida pela Justiça.