A Câmara de Campinas resolveu tirar da gaveta um tema que parecia superado — ou ao menos esquecido — e voltou a discutir a construção de uma nova sede. O movimento, revelado de forma quase repentina, chama mais atenção pela forma como surgiu do que propriamente pelo conteúdo. O presidente Luiz Rossini já indicou, inclusive, um possível caminho ao solicitar à Prefeitura a cessão de um terreno no São Bernardo, reacendendo uma discussão que já teve outros capítulos recentes.
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Em 2024, ainda sob o calor das eleições municipais, a ideia de mudança ganhou força com um alvo bem definido: o antigo Fórum Central, hoje Palácio da Cidade. Naquele momento, a proposta tinha um forte componente político e dialogava diretamente com o plano de reocupação do centro defendido pelo prefeito Dário Saadi. A viabilidade técnica, no entanto, sempre foi questionada. O prédio dificilmente comportaria toda a estrutura do Legislativo, especialmente diante do crescimento da máquina administrativa nos gabinetes.
Passada a eleição, o projeto foi abandonado. O antigo Fórum ganhou nova função, passou a concentrar serviços públicos e o assunto da mudança da Câmara simplesmente esfriou. Até agora. O anúncio recente mostra que o desejo de deixar a atual sede nunca desapareceu — apenas aguardava o momento político adequado para voltar à pauta.
O problema, mais uma vez, está na comunicação. A Câmara afirma que o prédio atual, na Ponte Preta, já não atende às demandas. Cita dificuldades operacionais, fragmentação de setores e limitações estruturais. Mas esse argumento, por si só, não se sustenta sem uma explicação mais robusta. Trata-se de uma sede com cerca de 20 anos de uso institucional, bem localizada e que recebeu investimentos relevantes, inclusive na modernização do plenário.
Diante disso, a pergunta que se impõe não é “para onde ir”, mas “por que sair?”. O Legislativo precisa convencer a população de que há, de fato, uma defasagem estrutural que justifique abandonar um prédio funcional e investir cerca de R$ 30 milhões em uma nova construção. Sem essa narrativa bem construída, a proposta corre o risco de parecer desconectada da realidade da cidade.
Internamente, o tema também não é consenso. Já há vereadores que questionam a necessidade da mudança e defendem alternativas, como a ampliação da estrutura atual, inclusive com a possibilidade de verticalização no próprio terreno. Uma solução que poderia atender à demanda sem o impacto político e financeiro de uma nova sede.
O fato é que a discussão está de volta — e ainda em estágio inicial. A eventual cessão do terreno, a elaboração de projeto, a liberação de recursos e a execução da obra indicam um caminho longo, com previsão que pode se estender até o fim da década.
Mas antes de qualquer passo concreto, há uma etapa fundamental que ainda não foi cumprida: explicar à cidade por que a Câmara quer mudar. Tenho sérias dúvidas se o campineiro está disposto a ver o seu suado dinheiro sugado por impostos ser empregado para garantir mais conforto e comodidade para um poder que tem causado inúmeros embaraços com episódios vergonhosos.
Sem isso, o debate começa torto. E em Campinas, como a própria experiência recente mostra, projetos que nascem assim costumam enfrentar resistência antes mesmo de sair do papel.
Prorrogação aprovada

Divulgação/CMC
A Câmara de Campinas aprovou na noite desta quarta-feira (15), em segunda e definitiva votação, o projeto que autoriza a prorrogação dos contratos do transporte público coletivo na cidade.
Com a decisão, fica autorizada a extensão dos contratos atuais por até dois anos, prazo reduzido em relação à proposta original, que previa até três anos.
A medida é tratada pelo Executivo como excepcional e tem como objetivo garantir a continuidade do serviço enquanto o novo modelo de concessão não entra em operação.
O texto aprovado não altera as condições vigentes da operação. Permanecem as mesmas exigências de frota, itinerários e padrões de serviço, já estabelecidos nos contratos atuais.
Além disso, a proposta inclui uma cláusula de encerramento automático, que determina o fim da prorrogação assim que as novas empresas assumirem o sistema.
A prorrogação está diretamente ligada à implantação do novo modelo de transporte, definido em leilão realizado em março. Segundo a Emdec, esse processo pode levar entre 11 e 14 meses, considerando etapas técnicas, jurídicas e operacionais.
Entre elas estão a análise de documentos, criação das operadoras, assinatura de contratos e estruturação da operação, com frota e sistemas.
O modelo aprovado divide a operação em dois lotes. O Consórcio Grande Campinas ficará responsável pelas regiões Norte e Noroeste, enquanto a Sancetur assumirá áreas como Sul e Leste.
Mesmo com a prorrogação, o cronograma da nova concessão segue mantido.
A votação encerra a tramitação legislativa do projeto, mas não o debate. Durante a discussão, vereadores chegaram a apresentar propostas com prazos menores, como um ano ou seis meses, mas as alternativas não avançaram.
A aprovação ocorre em meio à pressão para evitar qualquer risco de interrupção do já caótico transporte público, serviço que atende milhares de passageiros diariamente na cidade.
FPX Cast entrevista Vini Oliveira
O FPX Cast de hoje à noite, em parceria com o PodConecta, traz uma entrevista com o vereador Vini Oliveira (Cidadania), um dos nomes mais votados e também mais polêmicos da atual legislatura em Campinas.
A conversa começa pela mais recente comissão processante contra o parlamentar, que acabou arquivada. Para o vereador, são “coincidências” da política receber um pedido de cassação logo após acionar o Ministério Público contra o transporte atual.
Na entrevista, Vini se aprofundou sobre a sua atual causa, com uma ofensiva para expor ainda mais os problemas do transporte público de Campinas. O parlamentar votou contra a extensão dos atuais contratos.
Vini Oliveira também comenta a coleção de polêmicas, o processo de amadurecimento na Câmara e os planos políticos para 2026.
A entrevista completa vai ao ar hoje, às 19h, no canal do FPX Cast no YouTube.
- Flávio Paradella é jornalista, radialista e podcaster. Sua coluna é publicada no Portal Sampi Campinas aos sábados pela manhã, com atualizações às terças e quintas-feiras. E-mail para contato com o colunista: paradella@sampi.net.br.