MÚSICA

Luiz Silva comemora o Dia do Compositor com lançamento musical

Por Da redação | Taubaté
| Tempo de leitura: 5 min
Raiane Campos
 Luiz Silva é compositor da banda Alarde
Luiz Silva é compositor da banda Alarde

O 15 de janeiro, como marca o calendário hoje, é considerado Dia Mundial do Compositor, este ser criador que transforma em música os barulhos da mente, sejam ideias ou sons. Inserido neste grupo e em véspera do show de lançamento do seu quarto disco, no qual desabafa impressões sobre o mundo e questões cotidianas das mais íntimas aos humanos, Luiz Silva, da banda joseense Alarde, diz que compor é ter “voz perante o mundo”; é, ainda para ele, expressão que cura e ganha novas formas conforme experiências pessoais evoluem. Seu conselho a quem desperta à vocação? “Não se satisfaça com pouco!”

Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp

Com show gratuito marcado para as 20h desta sexta, dia 16, no Sesc Taubaté, o letrista, guitarrista e vocalista se apossa do microfone para apresentar o “Meu Nome É Segredo”, álbum que ele brinca ser um rock que caminha ao “pop noia” –mas que é poesia pura de quem vê o mundo em múltiplas dimensões, sem perder a esperança por dias melhores.

“Minhas letras são meus instrumentos de tratamento e cura sobre meus próprios sentimentos. Com olhar, porém, observador e reflexivo do mundo que me cerca. É um processo introspectivo, mas que transcende o ‘eu’ e desnuda verdades coletivas absolutas. Por isso se comunica com outras pessoas, que se identificam com letras e mensagens transmitidas”, resume. De fato, é música que conecta.

Junto aos demais integrantes do grupo (o irmão Rodrigo Silva, baterista, e os músicos de São Paulo Rodrigo Mazza, guitarrista, e Marcelo Sanches, baixista), o frontman convida o público a olhar para dentro de si em diferentes momentos, como em “Crise Moral”, que faz pausa após instigar: “Diante do espelho, diz quem você é”. É um disco que sente o mundo, mas pede autoanálise para libertação e alcance do porvir próspero de sentimentos bons.

“Compor poesia e música de forma livre, artisticamente, é encarar os sentimentos e dores de forma crua. Quanto mais honesto se é consigo, mais verdadeira é a letra e a canção. Compor é espiritual, é autoconhecimento, é voz do indivíduo perante o mundo à sua volta”, define o músico, que conta ter fomentado na adolescência a ambição de escrever músicas.

EVOLUÇÃO

Hoje já com pés na casa dos 40 anos, ele chega ao quatro disco autoral, com a banda que fundou com o irmão, cantando frases como “finalmente chegou o grande dia de me tornar tudo o que eu sonhei”,  de “Como um Imã” (música sobre curar feridas e atrair sonhos), ou “não troco minha voz; o meu violão… misturo sonhos, meus desejos”, de “Canção da Viagem”. É um incentivo a quem olha para a frente sem deixar o passado desanimar.

“Ideias engavetadas são normais; algumas ainda têm chance de lapidação, outras ficam guardadas mesmo, pois serviram somente ao processo”, diz, a quem tem sonhos travados. “Aos novos compositores, o único conselho é ler, escrever, treinar, testar, se provocar… Não se satisfazer com pouco, ir ao limite e ao além do além!”, continua, fazendo referência, neste último termo, a uma fala de Lanny Gordin (1951-2023), guitarrista lendário da MPB que o incentivou e foi parceiro musical do grupo. “Escrever letras em português dentro da estética rock-MPB-experimental sempre foi um desafio muito atraente para mim. Apostei.”

E se chegar ao quarto disco pressupõe um amadurecimento musical, a avaliação dele sobre a evolução de “Oitoitenta” (2009), álbum de estreia, a “Meu Nome É Segredo” (2025) é de haver nova preocupação no processo criativo: “Minha construção das letras foi ficando mais focada na fonética das palavras e no sentimento que elas carregam, nem tanto no significado em si. Mas a mensagem sempre está lá! Já os arranjos evoluem conforme a nossa experiência musical e a estética escolhida para compor cada canção”.

Entre um e outro trabalho, a banda lançou os discos “Abismo ao Redor” (2014) e “Destruir o Ego” (2019), com sucessos que também serão lembrados no show desta sexta, no Sesc Taubaté, como pedem os que acompanham o grupo desde o início. Todos os álbuns já estão em plataformas digitais populares. “A evolução das letras se revela na capacidade de sintetizar ideias e reflexões. Hoje entendo que quanto mais simples, melhor”, finaliza Silva.

SERVIÇO - ALARDE “MEU NOME É SEGREDO”
Sesc Taubaté - gratuito - livre
Dia 16/01 (sex.), às 20h, entrada franca. No Sesc Taubaté (av. Engenheiro Milton de Alvarenga Peixoto, 1.264, Esplanada Santa Terezinha, Taubaté-SP). Bar local. Na marquise (sem assentos). Sem retirada de ingressos antecipada. Classificação etária livre. Grátis. Com participação especial do trompetista  Rafa Jarcem.

Cantautora de São José, Cinthia Jardim fortalece a cena feminina

Também de São José dos Campos, Cinthia Jardim se apresenta como cantautora: uma cantora que é compositora. Idealizadora de projetos que valorizam a mulher na música, com estímulo à exposição do trabalho autoral de novatas e veteranas, a artista pede para que as aspirantes com vocação não se intimidem nem desistam de ganhar espaço entre letristas ou musicistas criativos. “Ainda temos um cenário muito masculino, por questões estruturais, e é preciso se impor. Mesmo que não saiba tocar um instrumento, se é letrista e tem ideias, comece!”, diz.

No ano passado, a cantautora lançou o disco “23” (disponível no Youtube), com composições próprias. Autorais, já lançou ainda o show “Montanha Russa” (2015) e os álbuns “Beba o Novo” (2010) e “Cena de Mulher” (2008).

“Eu venho de um combo: desde a infância fui muito nutrida de música e sempre li muito. Escrevia em diários e comecei a compor poemas, que foram virando músicas. Então eu conseguia entregar uma música com harmonia pronta na minha cabeça, ainda que não estruturada em questões técnicas, para depois receber o trabalho de arranjos”, encoraja.

A questão é, primeiro, se entender compositora. “Claro que ouvi muitas críticas por isso, e hoje consigo separar aquelas que foram construtivas. Agora busco este conhecimento em teoria musical e sou da opinião de que é importante, sim, para o desenvolvimento.”

Compor, para ela, é desabafo. “A música, para mim, alivia. E isso pode ocorrer na alegria, também, não só na dor.” Por isso, Cinthia orienta quem segue a mesma trilha a compor com sentimento. “E nutra-se sempre de muita música, em vários estilos; estude música e, sobretudo, leia. Leia! Ler aumenta vocabulário, repertório. Não adianta criar se adequando ao que parece levar ao sucesso, não vejo assim. Tem de escrever com a sua verdade.”

Comentários

Comentários